Novo Blog: NerdShots

Setembro 17, 2009

Como todo mundo deve ter notado o Entrelinhaz morreu. A única atividade por aqui é algum crente fanático ou fã louca de crepúsculo me enchendo o saco.

Felizmente, para a alegria dos meus algozes internéticos estou com um projeto novo: O NerdShots.

Lá tratamos basicamente do que falava sozinho aqui no EntrelinhaZ, com uma roupagem melhor e com a ajuda de dois amigos, Risso e Marcos.

Para acessar o blog é só clicar na imagem ou aqui.

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Singularity 7

Maio 23, 2009

Dar uma volta no Vertigem baixando quadrinhos randômicos na esperança de achar algo de qualidade, coisa que geralmente acontece, é algo mais comum do que vocês podem imaginar.

Alguns dias atrás, durante mais uma peregrinação de rotina, lembrei-me das histórias de Bem Templesmith, autor que já virou até motivo de confusão nos site e, porém, ainda não conhecia. A obra da vez foi Singularity 7.

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Singularity 7, lançada em 2004 e publicada pela IDW Comics, mostra de maneira bem inovadora um futuro pós-apocalíptico, algo que sempre atrai os fãs de ficção científica. Após a queda de um meteorito na Terra, Bobby Hennigan é possuído por nanorobôs, os nanitas, que, após se fundirem com seu corpo e mente lhe atribuem certas habilidades especiais de controle material, devido sua natureza replicante e transformadora. Obviamente, aos um começo altruísta, onde suas habilidades eram usadas para implantar melhorias no planeta, as coisas saem do controle para Bobby. Sua existência, assim como a de todos os outros começa a mudar.

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O traço de Templesmith, apesar de não ser do mais tradicional ou realista, adapta-se muito bem à trama. É algo que mistura um aspecto sombrio e disforme. Perfeito para um mundo modificado artificialmente. As cenas de ação e violência também são bem representadas. Vísceras e sangue explodem de forma brutal pelas parcas páginas do volume.

Este fator, o tamanho da história, seria o único ponto negativo durante a narrativa. Singularity possui somente quatro edições. Devido a sua curta vida os personagens não conseguem se aprofundar tanto quando deveria e, findam sua existência sem mostrar sua real personalidade. Apesar de ser claramente contra a prolixidade, a saga contada por Templesmith é curta demais e parece em certos pontos imprensada ou até mesmo contada com pressa o que acaba por tornar a leitura um pouco decepcionante.

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O primeiro contato com as obras de Templesmith não foi dos melhores. Apesar de ler o primeiro volume com voracidade, o final me abateu como uma pá feita de apatia. Para os reais fãs da 9ª arte, com certeza Singularity 7 é algo que merece ser visto e apreciado. Para os não muito familiarizados, a violência exacerbada e a trama meio curta podem assustar. Apesar dos pesares Bem Templesmith merece mais uma chance.

Link para download: AQUI


Star Trek: Live long and prosper.

Maio 16, 2009

Nunca fui um profundo conhecedor de ficção científica espacial. Star Wars, Star Trek, Perdidos no espaço e todos os rebentos interplanetários de décadas passadas sempre foram uma grande incógnita para mim. Foi com esse receio e falta de entendimento que fui ao cinema acompanhar o último remake do ano. Star Trek.

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Devo logo adiantar que não sou lá muito fã de refilmagens e adaptações. Creio que agora, com esta moda de transpor histórias em quadrinhos para o cinema, vide Homem Aranha e Wolverine, além de algumas continuações desnecessárias como, sei lá, Rambo, há um grande retrocesso para a indústria. Enquanto os produtores andam ocupados engordando a conta bancária de Hugh Jackman ou Tobby Maguire, várias boas idéias originais deixam de ser feitas. O Poderoso Chefão desta década/geração ainda não surgiu. Enfim.

O longa, obviamente, conta a história do capitão James. T. Kirk e a tripulação de uma das naves mais famosas da história, a USS Enterprise, no começo de sua jornada, da vida normal civil até a conquista do espaço.

Sinopse muito vaga? Calma, garoto.

O maior problema em adaptar uma série com fãs tão fervorosos (leia fanáticos) tantos anos após seu termino e usando novos escritores e atores, seria, de fato, a decepção que os espectadores mais hardcore iriam sentir ao ver tal obra prima ser “maculada” por leigos. Completamente normal. Os fóruns internéticos sempre pipocam com acusações e ameaças de morte.

Felizmente para todos, J.J. Abrams, diretor do filme e mente criativa por trás de LOST, Alias, Fringe e Armaggedon, teve uma sacada de mestre. Uma verdadeira manobra salvadora: Ao invés de tentar mal explicar milhões de fatos em um filme de 2h de forma porca e suja (eu ouvi Wolverine?), ou simplesmente fazer algo a parte, levemente baseado no original, Abrams inspirou-se na Marvel e/ou DC criando um universo paralelo onde podia contar sua versão da história com toda a liberdade poética que lhe era oferecida.

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Sim, leitores, o filme se passa em uma realidade alternativa completamente diferente da trama antiga. Já revelando um pouco mais da história e acalmando ânimos mais exaltados, digo logo que todas as pontas ficaram absurdamente bem amarradas fazendo o elo com o passado/futuro parecer intuitivo a todos. A maestria da direção de Abrams também funciona neste sentido, a pluralidade de sua obra.

Tanto aqueles já mais familiarizados com o universo Trekker, quanto aqueles completamente alheios, como eu, que caíram de pára-quedas nas salas do cinema, terão uma ótima experiência. Para o primeiro grupo, inúmeras referências serão mostradas: os personagens têm personalidades semelhante às antigas, os sons do sonar no início do filme, os bordões clássicos e até os RedShirts dispensáveis, personagens que no original sempre aparecem para morrer, estão lá. Tudo isso, claro, sem parecer forçado. O segundo, por sua vez, também se sentirá em casa, tendo em vista que o mundo mostrado é muitíssimo bem explicado.

startrekredshirtEsse cara da esquerda é o Redshirt novo

Na parte técnica, o filme não faz feio. Muito pelo contrário. Os cenários, naves e explosões mostradas são realmente bem feitas, diferente, de novo, da última empreitada da Marvel Comics nas Telonas. Este último quesito, as explosões, foi extremamente bem explorado. Quando a tomada muda para o espaço mostrando danos e destruição na nave todo o som deixava de se propagar, fazendo com que a sala inteira prendesse respiração em resposta. Lindo.

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As atuações também estão em um nível alto para nomes pouco conhecidos. Chris Pine mostra a confiança e ímpeto do Kirk Original, mas ainda assim consegue impor sua marca, fugindo da sombra de William Shatner, tarefa nada fácil de ser feita. Zachary Quinto, por sua vez, está costumeiramente inexpressivo e com aquela característica cara de “vou te pegar” sempre vista em Heroes, onde o ator interpreta Sylar. Estas facetas, porém, caem como uma luva para o papel do quase sempre lógico volcano Spock.

Arrecadando cerca de 72 milhões na América do Norte em sua estréia, e carregando um legado gigantesco, Star Trek já nasceu grande. Abrams, o roteiro e os atores, porém, fizera por merecer. Ao contrário de outras origens e remakes lançados por aí, este é um ótimo filme feito para agradar a todos e, mostrando a que veio, ele realmente agrada. Espero ansiosamente pelas continuações. Recomendado com força.

Como disse no título: Live long and prosper.

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Umbrella Academy: Surpreendente

Maio 13, 2009

Há alguns dias atrás, conversava com uma amiga na faculdade sobre histórias em quadrinhos, já que ela também admira esse tipo de arte. A pauta da vez era Umbrella Academy, obra ganhadora do prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos) de melhor série Limitada de 2008, e desenhada pelo excelente artista brasileiro Gabriel Bá, que atualmente trabalha Image Comics. Ambos eram ótimos motivos para cair de cabeça na história. A estranheza, porém, vinha quando citávamos o nome do autor, Gerard Way, o vocalista emo, afetado, e porque não talentoso, da banda My Chemical Romance (MCR).

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Se por acaso algum emissário do futuro batesse à minha porta com um pôster do MCR, apontasse para o front man e dissesse que eu iria ler e ainda por cima GOSTAR de uma HQ idealizada pelo cara eu o chamaria de louco enquanto o expulsaria com pontapés.

Mas, felizmente, a vida é uma caixinha de surpresas, já dizia Joseph Climber.

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Umbrella Academy, lançado em 2007 pela Dark Horse Comics, conta a história de sete crianças com poderes especiais nascidas no mesmo dia que são adotadas e treinadas de maneira bem severa (cada criança usa além de seu próprio nome um número de identificação) para salvar o mundo de uma possível catástrofe. Sim, eu sei que parece algo bem ao estilo dos X-men com a escola para humanos especiais, mas não é. Umbrella Academy é surpreendentemente bom.

A sua maior virtude, talvez seja seus personagens absurdamente bem construídos e marcantes. É tarefa das mais difíceis escolher um preferido quando as personalidades começam a ser reveladas. O número 1, por exemplo, é o perfeito herói/líder tomando decisões corretas que visam o bem maior. 2 é um rebelde atirador de facas captando perfeitamente a essência do anti-herói e sendo adorado pelo público (ouvi falar em Hiei de Yu Yu Hakusho ?) 4, por outro lado, é um maníaco depressivo, tímido, retraído e desgostoso com a vida. Sério, há tipos para todos os gostos.

A narrativa também segue de maneira agradável cheia de ganchos para continuações e referências famosas. É impossível não comparar os moradores da academia e suas peculiaridades com a Liga Extraordinária do gênio inglês Alan Moore, influência que Gerard confirma abertamente. Ainda existem vários fatos, mortes e falas não explicadas que espero sinceramente serem aproveitadas em uma futura continuação. Umbrella Academy merece.

O traço de Gabriel Bá é muito bonito. Apesar das cenas em perspectiva não serem das mais detalhadas, como em We3, a ação é mostrada de maneira bem fluída, o que, definitivamente, é essencial para a história. A feição dos personagens também chega a ser algo bem marcante, fazendo forte contraste com a questão psicológica.

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Longe da pretensão de ser uma obra genial ou divisora de águas, Umbrella Academy ainda se destaca no âmbito das histórias de super-heróis com seus personagens politicamente incorretos, incoerentes, e muito profundos. Os combates e a violência contidos em seus parcos 6 volumes aumentam ainda mais o gosto bom que a leitura da obra traz. É rápido, é arrebatador e com certeza vai surpreender. Recomendado.

Link Para Download: AQUI (Vertigem)

Para leitura é necessário o CDisplay.


De onde vem sua religião: Conforto

Maio 9, 2009

Diante do meu último post sobre religião, De onde em seu ateísmo, que recebeu até comentários produtivos, parto para outra idéia apaixonada que já habitava o limbo de meus pensamentos há algumas publicações atrás. Inicia-se aqui a série: De onde vem sua religião. Conjunto de textos nos quais pretendo comentar alguns dos principais argumentos usados pelas pessoas adeptas à algum tipo de fé.

Para esta primeira parte ataco logo um dos assuntos mais polêmicos: Conforto.

atheism-motivation Ateísmo: também não há um pote de ouro no final do arco-iris

Durante o almoço dominical da semana passada com minha família comentei um pouco sobre o hype midiático do momento. A Gripe Suína. As opiniões proferidas devem ser as já esperadas, não creio que a doença vai ser o fim do mundo e é tudo uma questão sensacionalista. Comparem só com as mortes causadas por, sei lá, malária e todos verão que o bacon ainda é seguro.

Foi neste momento que minha mãe, profundamente religiosa, para quem não sabe, soltou uma grande pérola de sabedoria.

“O espiritismo explica essas epidemias como algo que a humanidade tem que passar para expiar seus pecados e evoluir espiritualmente”

Se não foi isso, com certeza foi algo com o mesmo sentido.

As religiões em si, não somente a doutrina espírita como citado, tem essa incrível capacidade de saciar as preocupações da humanidade com falácias e palavras de conforto. Imaginem, por exemplo, um terrorista cometendo um atentado suicida sem ter a CERTEZA que encontrará 72 virgens lhe esperando no paraíso. Impossível, certo?

Não falo somente de algo tão trágico e sem sentido como assassinatos em massa. Ditados populares como: Deus fecha uma porta, mas abre uma janela e Deus escreve certo por linhas tortas, servem justamente para confortar as pessoas religiosas sobre os infortúnios da vida, fazê-las parar de pensar nos problemas e focar-se nas melhorias que porventura virão. É uma estratégia cotidiana válida, admito. Usá-la, porém, com base religiosa é demonstração de uma mente fraca e influenciável, completamente despreparada para lidar racionalmente com os problemas sem a ajuda de um suposto criador ou ser superior.

Como argumentei por twitter com um amigo ontem. A religião, por enquanto, é sim um mal necessário para frear os instintos humanos. Aquelas cenas de filmes pós-apocalípticos demonstram bem esta afirmação. Assim que as pessoas sabem que o mundo vai acabar e não há nenhuma divindade para frear a destruição esquecem completamente as regras sociais de convívio saqueando, roubando, estuprando e transformando seus últimos momentos em um completo pandemônio. Algo bem diferente aconteceria com os ateus ou pessoas em geral mais civilizadas, aposto. Comigo seria bem diferente.

Somente com um grande crescimento intelectual a raça humana deixaria de necessitar deste apoio místico para lidar com seus próprios problemas e encarar a realidade como ela realmente é. Um jardim não precisa ter fadas ou duendes para ser belo.


Flight 666 – The Movie.

Abril 22, 2009

70 mil Quilômetros. 45 dias. 23 shows. Uma exibição. Eu estava lá.

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Havia algo diferente no ar. Era inegável que uma coisa grande estava para acontecer. O contingente de cabeludos e camisas preta no shopping havia triplicado naquela noite. Iron Maiden era a banda e as palavras da vez. Ontem, dia 21, o filme Flight 666, documentário sobre parte da última turnê da banda britânica, Somewhere Back in Time, teve sua estréia mundial. Somente uma sessão seria disponibilizada.

O longa foi filmado por Sam Dunn e Scot McFadyen, também idealizadores do filme: Metal – A headbanger’s history, que voaram a bordo do avião particular da banda, Ed Force One, por 5 continentes acompanhando vários shows históricos, como no Chile, país de onde a banda havia sido banida por apologia ao satanismo. Pura besteira.

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Difícil nessa hora falar de atuações, de fotografia ou qualquer outro aspecto técnico do filme. Não somente por se tratar de um documentário, mas por se tratar do Maiden. FUCKING Maiden.

A trilha sonora, porém, é das mais lindas. Como de se esperar, durante as quase duas horas de filme, somos bombardeados com o melhor do metal. Todos os hits clássicos estavam lá: Fear of the Dark, Two minutes two midnight, Run to the Hills, entre outras. Cada um tocado com perfeição e som surround 5.1.

Algo que também percebemos no decorrer da “trama” é a desmistificação dos membros da banda como seres imortais e inalcançáveis. Vemos Harris doente, Niko comendo pizza, Bruce fazendo brincadeiras. Algo realmente bem humano.

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Como muitas das pessoas presentes, principalmente em uma cidade pequena como a minha, jamais terá a oportunidade de ir a um show como aqueles mostrados no vídeo, Flight 666 era o mais próximo do real que a maioria iria ver. Isso acabou criando um clima de festa geral no cinema. Fotos, gritos, e chifrinhos eram feitos a todo o momento. Como se sabe, os rockeiros são o pior do rock. Nada, porém que prejudicasse o brilho de estar neste momento “histórico”.

Quem esperava se tratar de só mais um show, como aqueles vendidos par promover um novo CD, enganou-se. Também estava errado quem pensou se tratar de um filme monótono cheio de cenas não vistas e com toda cara de: “história por trás da história”. Flight 666 é mais que isso, é uma conquista. A maior turnê da história da banda, aquela que relembra seus clássicos não tocados dando oportunidade para aqueles não nascidos na década de 80 poder vê-los ao vivo. Um marco para o metal. Eu recomendo.


W3: Instinto de Sobrevivência.

Abril 16, 2009

Há certos momentos na vida de um blogueiro (risos) ou escritor (risos histéricos) que algum material salta com força à nossa vista atrapalhando planos e criando um sentimento apaixonado que incita a escrita quase imediata de algo. Isso aconteceu hoje. Havia um texto mal acabado pairando no desktop e outras duas boas idéias na cabeça. Desnecessário dizer que tudo foi empurrado para um canto qualquer. Todo este frenesi foi causado por W3: Instinto de sobrevivência.

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WE3, minissérie escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, foi publicada no Brasil pela Panini Comics em 2006 e conta a história de três animais domésticos (Um cachorro, Bandit, um gato, Tinker, e um coelho, Pirate) que, após um treinamento feito pelo governo americano e a implantação de modernos exoesqueletos de batalha, tornam-se poderosas armas de guerra, o grupo WE3 (Weapon 3 ou Nós 3, na tradução de um significado subjetivo).

Pela sinopse WE3 parece se tratar de uma história repleta de ação. Quem pensou assim não se enganou. A HQ é Brutal no melhor sentido da palavra. Sangue e selvageria banham as páginas com vários tons de vermelho. Quem pensou, porém, que se trata somente de violência gratuita enganou-se.

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Para começar os personagens principais, 1, 2 e 3, cachorro, gato e coelho, respectivamente, são absurdamente bem construídos e com personalidades bem definidas, Bandit segue aquele estilo de melhor amigo do homem, sempre tentando manter a ordem e ser benevolente com a raça humana, Tinker é o espírito livre, reclama de tudo, desconfia de todos, e o coelho, Pirate, é o mais ameno dos três, mantendo o clima entre os dois primeiros em níveis suportáveis. Até as atitudes do trio são pensadas e chegam a causar empatia e comoção nos leitores mais emotivos. O vocabulário dos animais em WE3 é outro grande trunfo. Os bixos se comunicam com uma linguagem fragmentada, um léxico muito escasso, o que carrega as cenas com um tom ainda mais dramático.

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O traço de Quitely é lindo. Um dos mais bonitos que já tive o prazer de ver. Somente um artista tão talentoso poderia carregar somente com seus desenhos uma história sem falas da narrativa. O narrador, apesar de obviamente existir, não se manifesta. Toda a trama é contada em diálogos e imagens. O enredo, também é muito conciso. Não deixa pontas soltas, não possui um final que transborda sentimentalismo e o mais importante: não deixa uma indesejada abertura para seqüências mal feitas.

Em suas curtíssimas três edições, WE3 adentra o mundo da ficção científica de forma adulta e polêmica, mesclando doses cavalares de ferocidade com emoção e ternura. O gênio narrativo de Morrison faz com que a obra seja recomendada para todos, inclusive aqueles que não são fãs do gênero. Uma fórmula perfeita de como fazer uma bela HQ.

Os três volumes da série estão disponíveis AQUI.

Para a leitura é necessário o CDisplay.


Dexter: “A” série.

Abril 9, 2009

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Não arrisco muito escrevendo sobre televisão. Isso é fato e os leitores mais ávidos podem comprovar. A última vez que teclei algo sobre esse tão conturbado mundo do entretenimento acabei em decepção. Foi este post aqui sobre o começo da última temporada de Heroes, que, como a grande maioria dos fãs antigos, também já abandonei. Por outro lado, falo agora daquela que considero a melhor série dramática dos últimos tempos. Dexter.

Diferente de Seinfeld, que marcou o começo de minha adolescência, Dexter não tem um humor peculiar ou um sarcasmo afiadíssimo. Para quem não sabe, o seriado trata de assassinatos. Sim, assassinatos. Dexter Morgan, personagem principal, é um Serial Killer. Não como Hannibal Lecter ou, sei lá, o mascarado idiota de Pânico. Dexter trabalha como especialista forense na polícia de Miami.

Entenderam o paradoxo?

Dexter vive sob um estrito código de honra deixado por seu pai, também policial, que o ensinou a suprir tais necessidades, e só eliminar aqueles que possuem certos requisitos que os tornam ameaças para a sociedade. Um assassino que só mata assassinos. Somente com esse começo já teríamos um ótimo programa, mas, felizmente, Dexter vai muito além.

O foco principal da trama muitas vezes não está somente nas mortes ou nas vontades doentias do protagonista e sim na sua vida pessoal. Em como máscaras podem ser levantadas e como um homem obviamente problemático pode conciliar dois comportamentos completamente opostos. Um maniqueísmo vivo.

Um dos principais motivos da soberba de Dexter é a atuação de Michael C. Hall no papel do assassino homônimo à série. Michael, já consagrado pelo trabalho no teatro e pela sua atuação na grande série dramática Six Feet Under, chega ao topo de sua carreira com Dexter. Ver Hall como um Serial Killer é quase natural. Como a calma superfície de um lago que esconde um turbilhão nas profundezas, o ator ao mesmo tempo em que exibe a calma e frieza de um assassino, pode ser amoroso e companheiro de forma bem convincente. Perfeito.

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Outro fator importantíssimo, e, que em meu ver, faz uma diferença enorme, é o número de episódios de cada temporada. São 12. Nem mais nem menos. Devido ao número reduzido, todos os capítulos trazem grande importância ao enredo sem dar margem para fillers, algum grande desvio de roteiro ou mistérios sem solução. Vide Heroes, e Lost, respectivamente.

Até agora a série mostra uma consistência admirável. Em três temporadas conseguiu, além de manter seus fãs antigos, arrebatar novos cada vez mais fervorosos. A narrativa encontra maneiras de explorar, além do talento incontestável de Hall colocando-o em várias situações adversas, reviravoltas e embates psicológicos cada vez mais intensos, fazendo o expectador saltar em um mergulho às profundezas da mente deste adorável assassino.

DEXTER (Season 2)

Dexter não é repleta de efeitos especiais. Não é dirigida por algum dos intocáveis de Holywood como Abrams ou Bruckheimer. Não tem algum grande nome do cinema à sua frente. Não importa. Não precisa. Sucesso se faz com talento, dedicação e qualidade. Isso Dexter tem de sobra.

Assistam!


De onde vem o seu ateísmo?

Abril 7, 2009

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Óbvio dizer que esse texto tem um público alvo bem restrito.

Meados de 1998. Eu, na época com 11 anos, adorava as aulas de história da professora Justina no Reino Infantil. Uma senhora com quase 70 anos que mais parecia um cone de trânsito tamanha era sua presença em sala de aula. Não importava, adorava a matéria, tanto que até pensei em cursar História no ensino superior. Enfim.

Estudando civilizações antigas, astecas, incas e derivados, a parte que mais chamava atenção era a dos sacrifícios humanos. Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha. Nós não estamos.

Pense: Os já mencionados ameríndios antigos, povos nórdicos, cientologistas, muçulmanos, adoradores do macarrão voador e tantos outros estão realmente errados? Pessoas se matavam por suas crenças. Eles estavam errados?

Não. A infantilidade é a mesma.

Acreditar em seres místicos invisíveis, alienígenas, zumbis (seres que ressuscitam após a morte, como aquele chegado, o JC.), e dogmas sem sentido que se contradizem o tempo inteiro é comum em todas as religiões.

É entendível que nos primórdios da humanidade o número de questões não respondidas sobre o universo e a existência eram trocentas milhões de vezes maior do que hoje e qualquer tentativa de explicação era válida. Mesmo quando envolvia mágica e imaginação.

Atualmente as dúvidas continuam numerosas. Sabemos, porém, que a Terra não é o centro do Universo, que dinossauros e homens não coexistiram (por mais que ainda haja pessoas que neguem tal FATO) e que a vida se originou do Big Bang por meio de uma série quase inacreditável de combinação de fatores.

O ser humano é um ser emotivo, claro, mas deixar a emoção dominar vidas a ponto de criar privações e regras sem sentido é doentio. As pessoas tornam-se prisioneiras de suas próprias fantasias, parafraseando uma música do Blind Guardian.

Pois bem, caro leitor, da onde veio o seu ateísmo? Em que momento a grande dúvida se levantou?

Post sem revisão for the win.


O Espinafre de Yukiko

Março 21, 2009

Sei que o blog está sendo atualizado de maneira porca por estes dias. Acho que entrei naquele estágio da vida que há muito que fazer e quase nada para falar. A boa notícia deste parágrafo introdutório é que já havia começado a escrever outro texto religioso quando tive a ânsia de digitar este. Logo mais vêm atualizações por aí. Enjoy.

Não sou uma das pessoas mais fáceis de conviver, acho que por minhas opiniões fortes e senso de humor ácido, algo que sempre transborda aqui no EntrelinhaZ, deve ser bem perceptível. Uma destas peculiaridades, e talvez nunca antes dita aqui, é o ciúme que possuo de livros. Detesto emprestá-los e da mesma forma evito com violência ler obras que não são minhas. Esta semana passada, quinta feira para ser mais exato, recebi quase uma intimação de uma pessoa muito querida para ler O Espinafre de Yukiko, um de seus livros preferidos.

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O Espinafre de Yukiko, escrito e ilustrado pelo quadrinhista francês Frédéric Boilet, é um Novelle Manga (movimento literário inspirado no Novelle Vague do cinema francês que procura, da mesma forma que seu irmão mais velho, mostrar modos narrativos diferenciados abordando o intimismo e histórias cotidianas em suas tramas) publicado em 2005 no Brasil pela Conrad e conta os amores e desamores de, pasmem, Boilet durante uma viagem ao Japão.

Sim, o cara é autor, ilustrador e personagem principal. Nada, porém, que deixe a história menos agradável. Muito pelo contrário, o ar de “experiência de vida” contido na obra atrai cada vez mais a atenção.

No decorrer desta visita ao Oriente, o personagem de Frédéric conhece Yukiko Hashimoto durante uma apresentação de Novelle Vague. Consegue o telefone da moça e logo se apaixona. Seu sentimento, no entanto, não é correspondido. Yukiko gosta de outro. Devido a uma indisponibilidade momentânea deste terceiro, o casal decide viver uma história entre parênteses. Um amor com prazo de validade.

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A beleza deste conto se dá principalmente pelo seu estilo de narrativa. Assim que conhecemos os termos da relação de Frédéric e Yukiko, acompanhamos cada data na agenda do francês com um aperto no coração. A história é contada como uma lembrança dos encontros da complicada dupla e percebe-se de forma clara que conforme o tempo passa a afinidade dos dois aumenta bastante, mesmo com a consciência do “não gostar” imposta pela situação.

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As ilustrações de Boilet se confundem com a realidade de uma fotografia, o que contribui ainda mais para o clima de veracidade que a história transpira. Os tons de cinza sobrepostos conseguem transmitir com perfeição até mesmo a idéia de movimento e velocidade. Há certas expressões no rosto de Yukiko que parecem saltar do papel e causam até certo choque fazendo com que o leitor pare por vários segundos somente para observar a garota. A maioria das cenas protagonizadas pela musa inspiradora do autor carrega um ar meio surreal, onde os desenhos acabam sendo ofuscados pela paixão de Boilet.

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O Espinafre de Yukiko é de fato um livro marcante. Talvez por me encontrar em um momento que minhas relações interpessoais também possuem prazo de validade, talvez pela profundidade que os personagens e suas caricaturas quase animadas ganham no decorrer da trama, ou, quem sabe, talvez por ser o primeiro livro que recebo emprestado em, sei lá, uns cinco anos. Os cheiros eram diferentes, as páginas tinham outra história pra contar além daquela que estava escrita e, vários pares de mãos repletos de pensamentos diferentes, de sentimentos diferentes já haviam estado lá antes de mim.

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Através de personagens complexos, de um enredo que facilmente cativa aqueles que o lêem e ilustrações únicas e lindas, Frédéric Boilet consegue narrar com perfeição acontecimentos que, se não foram, poderiam ser reais e fazer parte da vida de qualquer um. Da minha ou da sua. O Espinafre de Yukiko traz consigo inúmeros pontos de reflexão pessoal. Definitivamente uma das melhores “graphic novels” que já passaram por aqui.

Apesar de pessoalmente detestar ler no PC, o link de para o download está AQUI. Realmente vale a pena.

E sobre o nome? Bom, só lendo.