Nunca fui um profundo conhecedor de ficção científica espacial. Star Wars, Star Trek, Perdidos no espaço e todos os rebentos interplanetários de décadas passadas sempre foram uma grande incógnita para mim. Foi com esse receio e falta de entendimento que fui ao cinema acompanhar o último remake do ano. Star Trek.

Devo logo adiantar que não sou lá muito fã de refilmagens e adaptações. Creio que agora, com esta moda de transpor histórias em quadrinhos para o cinema, vide Homem Aranha e Wolverine, além de algumas continuações desnecessárias como, sei lá, Rambo, há um grande retrocesso para a indústria. Enquanto os produtores andam ocupados engordando a conta bancária de Hugh Jackman ou Tobby Maguire, várias boas idéias originais deixam de ser feitas. O Poderoso Chefão desta década/geração ainda não surgiu. Enfim.
O longa, obviamente, conta a história do capitão James. T. Kirk e a tripulação de uma das naves mais famosas da história, a USS Enterprise, no começo de sua jornada, da vida normal civil até a conquista do espaço.
Sinopse muito vaga? Calma, garoto.
O maior problema em adaptar uma série com fãs tão fervorosos (leia fanáticos) tantos anos após seu termino e usando novos escritores e atores, seria, de fato, a decepção que os espectadores mais hardcore iriam sentir ao ver tal obra prima ser “maculada” por leigos. Completamente normal. Os fóruns internéticos sempre pipocam com acusações e ameaças de morte.
Felizmente para todos, J.J. Abrams, diretor do filme e mente criativa por trás de LOST, Alias, Fringe e Armaggedon, teve uma sacada de mestre. Uma verdadeira manobra salvadora: Ao invés de tentar mal explicar milhões de fatos em um filme de 2h de forma porca e suja (eu ouvi Wolverine?), ou simplesmente fazer algo a parte, levemente baseado no original, Abrams inspirou-se na Marvel e/ou DC criando um universo paralelo onde podia contar sua versão da história com toda a liberdade poética que lhe era oferecida.

Sim, leitores, o filme se passa em uma realidade alternativa completamente diferente da trama antiga. Já revelando um pouco mais da história e acalmando ânimos mais exaltados, digo logo que todas as pontas ficaram absurdamente bem amarradas fazendo o elo com o passado/futuro parecer intuitivo a todos. A maestria da direção de Abrams também funciona neste sentido, a pluralidade de sua obra.
Tanto aqueles já mais familiarizados com o universo Trekker, quanto aqueles completamente alheios, como eu, que caíram de pára-quedas nas salas do cinema, terão uma ótima experiência. Para o primeiro grupo, inúmeras referências serão mostradas: os personagens têm personalidades semelhante às antigas, os sons do sonar no início do filme, os bordões clássicos e até os RedShirts dispensáveis, personagens que no original sempre aparecem para morrer, estão lá. Tudo isso, claro, sem parecer forçado. O segundo, por sua vez, também se sentirá em casa, tendo em vista que o mundo mostrado é muitíssimo bem explicado.
Esse cara da esquerda é o Redshirt novo
Na parte técnica, o filme não faz feio. Muito pelo contrário. Os cenários, naves e explosões mostradas são realmente bem feitas, diferente, de novo, da última empreitada da Marvel Comics nas Telonas. Este último quesito, as explosões, foi extremamente bem explorado. Quando a tomada muda para o espaço mostrando danos e destruição na nave todo o som deixava de se propagar, fazendo com que a sala inteira prendesse respiração em resposta. Lindo.

As atuações também estão em um nível alto para nomes pouco conhecidos. Chris Pine mostra a confiança e ímpeto do Kirk Original, mas ainda assim consegue impor sua marca, fugindo da sombra de William Shatner, tarefa nada fácil de ser feita. Zachary Quinto, por sua vez, está costumeiramente inexpressivo e com aquela característica cara de “vou te pegar” sempre vista em Heroes, onde o ator interpreta Sylar. Estas facetas, porém, caem como uma luva para o papel do quase sempre lógico volcano Spock.
Arrecadando cerca de 72 milhões na América do Norte em sua estréia, e carregando um legado gigantesco, Star Trek já nasceu grande. Abrams, o roteiro e os atores, porém, fizera por merecer. Ao contrário de outras origens e remakes lançados por aí, este é um ótimo filme feito para agradar a todos e, mostrando a que veio, ele realmente agrada. Espero ansiosamente pelas continuações. Recomendado com força.
Como disse no título: Live long and prosper.
