Resenha: Lugar Nenhum

Setembro 28, 2008

Quando vi um exemplar de Lugar Nenhum repousando suavemente em uma das prateleiras do “Armando”, a livraria do meu prédio na universidade, quase fiquei louco. Todos os dias voltando do meu curso de letras eu namorava aquele livro, um amor platônico, parecia uma demoníaca sereia encantando um miserável marinheiro lusitano. Não sei por que ele tinha que ser português, simplesmente era.

Assim que consegui juntar algumas inquietas notas amarelas em meu bolso efetuei a compra do livro que ainda teve que esperar impacientemente O enigma de Andrômeda acabar de ser lido.

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Lugar nenhum conta a história de Richard Mayhew, um jovem escocês que vive em Londres. Um cara chato, com um emprego chato, que está em um relacionamento chato e fadado ao marasmo eterno. Alguma semelhança com Fat Charlie?

No caminho para um jantar importantíssimo com o chefe de sua noiva, Richard tromba com Door. Uma garota ferida, suja e esfarrapada que habita uma dimensão paralela ao mundo real. A Londres de baixo. A partir desta situação inusitada (trocadilho infame?), Mayhew passa a ser invisível para os habitantes do mundo normal, não só invisível, mas parece nunca ter existido. Ele está em lugar nenhum.

Logo que descobre não existir mais, Richard se junta com outros moradores do submundo (literalmente) para, além de ajudar Door a solucionar os mistérios que mudaram sua vida, descobrir como voltar para seu antigo dia-a-dia. Nada, porém, é fácil para o grupo formado por Richard, Door e a caçadora Hunter. Vilões atemporais, entidades malignas e até mesmo divindades teimam em ficar no caminho que leva a algum lugar.

Existem autores de imaginação fértil e existe Neil Gaiman. Um homem completamente a frente de seu tempo. Ou o escritor mergulha em alucinógenos antes de deixar sua caneta escorrer pelo papel, ou é dono daquela mente quase infantil, que se recusa a enxergar os problemas e absorver as responsabilidades da vida adulta, que, inevitavelmente, ofuscam o brilhantismo inicial. Se tivesse que escolher, ficava com a segunda opção.

O cenário criado por Gaiman, como sempre, é quase palpável. A descrição de todos os acontecimentos e a naturalidade como são contados fazem parecer que a história sempre esteve lá, em um lugar escondido de nosso cérebro só esperando para sair, esperando as palavras mágicas deste mago das letras. O mundo de baixo descrito pelo autor é, apesar de extremamente complexo e intricado, muito simples e de fácil entendimento. Os personagens principais são tão bem construídos que é impossível não criar um laço afetivo por Richard e companhia. São como velhos conhecidos em um espesso mar de lembranças. A trama é tão bem elaborada que até virou série de TV na Inglaterra.

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A narrativa, no entanto, poderia ser melhor. Não sei se foi um problema meu, mas pareci meio sem ânimo para virar algumas páginas do livro. A história se mostrava calma demais, parada demais. Certos momentos da jornada de Richard e Door ficavam quase maçantes. Diferente de outros livros que li.

Lugar Nenhum, assim como os outros trabalhos de Gaiman é mágico. Ele pega uma idéia completamente inverossímil e transforma em algo tão bonito e comum como uma flor que brota em meio ao cimento. Ainda que genial, não possui a desenvoltura de outros escritos do autor, talvez por ser um de seus primeiros trabalhos. Lugar nenhum é amor e ódio, é tudo e nada. Recomendo só para fãs da sensata loucura de Neil Gaiman ou para pessoas de mente muito, muito aberta.

Lugar Nenhum

Editora: Conrad
ISBN: 978-85-7616-265-0
Número de páginas: 384


Quem é: Fedor Emelianenko

Setembro 25, 2008

Hoje estréia coluna nova no EntrelinhaZ. Apesar de ser entusiasta das Mixed Martial Arts há algum tempo, não sabia quem era Fedor Emelianenko. E ao conversar com um amigo sobre lutas, esmaguei seus sonhos e pisei em sua realidade quando disse que não sabia quem era o campeão dos campeões. Desse fato veio a idéia da criação desta seção. Em toda minha soberba intelectual apresentarei para vocês, fiéis leitores, certas personagens relevantes do globalizado mundo no qual vivemos. E o primeiro, obviamente, é Fedor.

Fedor Emelianenko

Para começo de conversa, Fedor Emelianenko é um lutador de MMA. O melhor em atividade. Ele é campeão do PRIDE na categoria peso pesado, já ganhou o campeonato mundial de Sambo, recebeu o título de “Mestre em esportes” pelo governo russo e fez parte de seu time nacional de judô. Resumo: o cara é absurdamente bom. ABSURDAMENTE bom mesmo. Ganhava até do Rambo.

Fedor nasceu em 1976 em Rubenshnoe Lugansk, na Rússia, sua mãe era uma professora e seu pai um soldador. Começou a praticar judô e sambo com cerca de 10 anos. Fedor não era uma criança forte e intimidadora, suas principais qualidades eram a perseverança e força de vontade. Após terminar a faculdade em 1997, Fedor ingressou no exército russo como bombeiro. Em 1999 casou-se com sua primeira esposa, Oksana, e no mesmo ano teve sua primeira filha, Masha. Tempos mais tarde, em 2006, Fedor oficializava sua relação com a namorada Marina e um ano depois Vasilisa, sua segunda filha, nasceu. Em seu tempo livre gosta de escutar música, ler e desenhar.

O mais impressionante nesse grande lutador é seu índice de vitórias. Até o presente momento Fedor perdeu apenas UMA luta. Não é como esse estreantes que tem 10 ou 11 vitórias e se acham “OS” invictos. Fedor tem 29 vitórias, e sua única derrota foi por TKO (technical knock out). Já que bem no começo do combate o russo se esquivou de um golpe e o cotovelo de seu adversário atingiu seu supercílio que não parou mais de sangrar.

Outra curiosidade sobre Fedor é seu modo de treinamento. O russo costuma, além das tradicionais práticas de Muay Thai, grappling e boxe treinar com pesos. Mas não são aqueles manjados ferros de academia. São pneus de tratores, elásticos e o seu próprio corpo. Tudo muito natural, ao ar livre.

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Fedor já mostrou sua superioridade contra campeões da maior associação de lutadores do mundo e principal concorrente do PRIDE, a UFC. Seis campeões. Seis vitórias fáceis de Fedor. Até mesmo os heróis brasileiros foram atropelados pelo eterno campeão. Minotauro, Zuluzinho e companhia viraram “pneus” nas mãos do russo.

Fedor Emelianenko, como já dito acima, é o melhor lutador em atividade. E talvez o segundo melhor de todos os tempos, perdendo apenas para a lenda Rickson Gracie que lutou mais de 400 vezes sem perder nenhuma. Por ser russo, sua atuação fica meio apagada pelas brilhantes luzes dos lutadores americanos, de Dana White e família, mas é, com certeza, um talento absurdo que merece ser reconhecido por todos os amantes das Artes Marciais.

Vejam os vídeos. Compensa.

Melhores momentos

Fedor Contra os campeões da UFC

Fonte: Wikipedia


Guia Prático sobre como pegar ônibus.

Setembro 22, 2008

Qualquer pessoa saudável, salvo os playboyzinhos mimados da classe média bem alta, pega ou já pegou ônibus. É uma espécie de rito de passagem da infância para a vida adulta, quando você talvez vá ter dinheiro suficiente para comprar um carro e um videogame, e largar definitivamente os transportes coletivos.

Em dias úteis, costumo pegar no mínimo 10 ônibus para ir para as faculdades que curso e voltar para casa. Convivendo em excesso com atitudes deploráveis em um ambiente saturado por individualismo e descaso, resolvi esboçar este guia para, quem sabe, ajudar as pessoas no futuro e um dia salvar o mundo.

Clique abaixo para ler o guia prático sobre como pegar ônibus.

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Para comentar: Nintendo Wii é videogame de criança?

Setembro 21, 2008

Este texto também está disponível no Lápis e Papel. Saiba mais notócias do mundo gamer, análises, previews e dicas. Lápis e papel.

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Acabo de ler este post no Gizmodo Brasil e receber o pontapé que faltava para iniciar minha coluna de domingo. Para quem não clicou no link, o texto do Pedro fala sobre vários Nintendo Wii’s que andam encostados em estantes ao redor do mundo.

Não sei se comentei por aqui, mas ainda não possuo um videogame Next Gen (que cada dia que passa tem menos de “Next” no nome). Um dos fatores que impediram a compra de um novo console, além do financeiro, é a indecisão pela plataforma/marca que melhor vai resistir ao tempo e a concorrência.

O Nintendo Wii é aquele videogame que prima pela casualidade, quase espantando os hardcore gamers com uma vassoura, por isso ele tem controles inovadores, jogos interativos e a menor capacidade gráfica do mercado atual. E isso nunca foi segredo. Jogos como Wii Fit, Wii Sports e suas bizarras variações só denotam ainda mais meu ponto de vista. Até mesmo seus Mários, Warios e família não animam os player mais exigentes que querem gráficos reais e muito sangue escorrendo pela tela.

O problema com a caixinha branca da Nintendo é que parece que os desenvolvedores estão confundindo casualidade com infantilidade e esquecendo que os adultos donos de Wii também querem jogar Street Fighter IV, Resident Evil 5 e Gta’s aleatórios. Acho que todos querem ter a ferramenta em mãos e decidir o uso correto dela. Querem poder ser casual ou hardcore players de acordo com seu tempo, e querem uma máquina que possa fornecer as duas opções. O Nintendo Wii ainda tem muito o que mostar, falta aqueles que acreditem no potencial do console.

E você, leitor, acha que o Nintento Wii está sendo mal aproveitado pelo mercado?


Propaganda Eleitoral e Religião

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Horario Politico

Com o início da campanha eleitoral municipal em todo país, começa um real freak show em nossos televisores. Há desde covers de humoristas toscos à até mesmo um ex-colega de classe que nunca foi conhecido pelo brilhantismo de seu intelecto e, pelo que dizem, até hoje reprova milhões de disciplinas em sua faculdade particular.

Com essa leva de aberrações, também chegam os devotos, que não são poucos. O projeto de lei Complementar 216/04 da Deputada Juíza Denise Frossard, RJ, já tentou eliminar influências religiosas em cargos políticos, afirmando que esta intima ligação entre religião e política é inconstitucional. Sob a ótica da instituição religiosa cabe a ela estabelecer as regras de conduta dos seus seguidores permitindo-lhes ou não a prática de atividades político-partidárias. Já em contrapartida, sob a ótica política, cabe ao Estado permitir ou proibir o acesso de cidadãos ativos aos cargos públicos, estabelecendo impedimentos e incompatibilidades. Lembra-se ainda que os militares são obrigados a se afastarem de sua vida de caserna quando optam pela vida político-partidária. O número de padres e pastores no congresso, porém, é tão grande que uma lei como essa jamais passaria, apesar do que o povo pensa.

A moda esses dias é afirmar que a candidatura é apenas a vontade de deus, que pela força de deus serão eleitos e que fulano ou cicrano é mais um enviado de deus. Imaginem a pressão que um fanático religioso sofre ao ouvir tais afirmações. Percebe-se, então, com esta atitude, uma forma pífia de exploração da ignorância das massas e sensacionalismo.

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Votem em mim! Sou THOR, o DEUS TROVÃO!

Dá certo? Não mesmo! Posso ser MUITO suspeito para falar, mas até mesmo alguns amigos evangélicos admitiram que, assim como eu, nem escutam as propostas e não fazem o mínimo de esforço para decorar o nome/número do candidato que adota essa postura. O tiro sai pela culatra.

Isso só reforça a idéia de que vivemos um falso estado laico. Um país que possui a frase “Deus seja louvado” estampada em toda cédula monetária impressa não pode ser considerado livre de rótulos religiosos. Se eu mesmo não fosse tão capitalista evitaria pegar em dinheiro.

Questiono até mesmo a inteligência dos candidatos ou de quem produziu o marketing pessoal dos mesmos. É fato que os protestantes se desenvolvem rápido, mas ainda não são maioria. E somente eles, e os mais fanáticos, para acreditar que vários “messias” estejam concorrendo vagas de vereadores ou prefeitos.

Falou de deus perdeu meu voto. E o de todos com discernimento e sem nenhum grau de problemas mentais.O povo quer propostas reais, não só promessas. E que estas sejam realizadas após a eleição.

Nada contra os religiosos, longe disso, respeito a crença de todos, por mais absurda ou infantil que seja, mas não quero ninguém dizendo que o diabo estourou o esgoto de minha rua ou fez buracos no asfalto.


Alcóol e teletransporte

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Enquanto vários cientistas tentam entender as raízes do universo com o LHC, e estudam física quântica com uma voracidade animal, um dos maiores mistérios do universo já foi desvendado por mim e por muitos outros apreciadores de álcool de nosso país. Estou falando do tele transporte.

Apesar de ser ateu há mais de uma década, admito que uma das raízes da movimentação instantânea seja religiosa, mais precisamente feita por meio de um santo. O São Braz. Existem ainda outras vertentes como a russa ou a japonesa, mas é sobre a primeira que este texto trata.

Para quem não sabe, São Braz é um vinho barato, muito barato mesmo. Naquele tempo podia se comprar uma garrafa por apenas R$ 3,00. E como nesse país preço baixo significa qualidade duvidosa, vocês já devem imaginar o teor alcoólico/sabor do troço.

Como qualquer adolescente urbano normal da primeira metade dos anos 2000, eu só queria me divertir e descobrir o maravilhoso mundo das bebidas com propriedades psicotrópicas. Já que sempre fui liso mesmo, a solução para encher a cara era comprar essas porcarias baratas. Era o que fazíamos.

Vejam bem, São Braz é RUIM! Parece vinagre com corante e dá uma ressaca desgraçada, coisa que eu só descobriria depois, na prática. Como tudo era lindo e novo não ligávamos. We were the youth gone wild.

Era uma noite de sexta, e como as únicas opções para quem não tem dinheiro ou carro em minha cidade é ir para o centro histórico ou ficar em casa, resolvi ir para o centro histórico, mas conhecido como Projeto Reviver. Munido da pequena fortuna de R$ 10,00 e um vale-transporte, para garantir minha volta, saí de casa feliz e saltitante.

Chegando lá fiz meu dinheiro valer à pena. Comprei três garrafas de vinho e um pacote de Halls para disfarçar o bafo quando voltasse ao lar. Até hoje não sei o destino de minhas balas de menta. Não comi nenhuma.

Sempre aparecem conhecidos em uma mesa repleta de álcool. Esses conhecidos, por sua vez, sempre fornecem sua cota de bebida, e como meu círculo social é constituído basicamente de pessoas sem muito poder aquisitivo, invariavelmente degustávamos o vinho do santo forte.

Lá pela sétima ou oitava garrafa, já estava chamando urubu de mulata e pensando que cachaça era água.

Essa é a hora que seu cérebro entra em “modo de segurança” e desliga certas partes para que você não lembre com exatidão todas as besteiras que falou e todas as burradas que fez. É também nesse estado de torpor mental que a mística do tele transporte acontece. De acordo com o que me recordo, e memória de bêbado não mente, em um instante estava sentado em uma mesa de plástico, e logo em seguida estava na porta de minha residência derrubando as chaves em uma inábil tentativa de colocá-las na fechadura.

Não há receita certa para esse fenômeno. Uns ainda duvidam de sua existência, mas eu sou a prova viva de sua veracidade. Com exceção de meu Halls que se perdeu no processo, cheguei em casa intacto.

Vale lembrar aos mais afoitos que a técnica do tele transporte causa severos efeitos colaterais. Os mais comuns são dor de cabeça, enjôo, vômitos e até diarréia. Em longo prazo pode ocorrer cirrose ou problemas de fígado.


DEATH MAGNETIC

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Acho que nada seria tão difícil para mim quanto escrever sobre o Metallica de forma imparcial, sem deixar toda minha admiração influenciar no texto. Admito, sou fanboy.

Essa, que, seguramente, é uma das maiores bandas de todos os tempos, para mim é a MAIOR banda de todas. Seria impossível expressar o quanto as músicas de Hetfield foram importantes na formação, não só do meu gosto musical, mas do meu caráter em si. Agora, com o lançamento do novo CD, não posso mais adiar a difícil tarefa que vem pela frente. Que venha o Death Magnetic.

Primeiras impressões:

Foram ótimas. Evitei escutar as faixas que foram liberadas no site do grupo com medo do que estava por vir. O som está mais pesado que o St. Anger. Está com mais cara de Metallica. A bateria, que também me incomodou muito no álbum passado, não parece mais aquele apanhado de latas Suvinil. Lars, desta vez, acertou na escolha.

Após um considerável tempo ouvindo o disco, pude perceber com mais clareza que o que eu ouvia não era a reinvenção do Metallica ou a volta dos tempos áureos. Era um álbum bom. Nada que se comparasse com o And Justice for All, mas ainda assim melhor que Reload e família.

As melhores Faixas:

5- All Nightmare Long: A batida pesada, os riffs fortes e o refrão poderoso dão um clima ótimo a esta canção. Se não fosse a diferente atitude do vocal para com todas as músicas atuais, veríamos um novo clássico. Aquela música para cantar até mesmo inconscientemente.

6 – Cyanide: Não sei por que me lembro de Battery quando ouço essa faixa. Não tem nada a ver. Tentar comparar com músicas antigas é realmente impossível. Apesar dos pesares, Cyanide apresenta ótimas melodias, e uma letra bem intensa, como é de praxe do Metallica. O solo já clássico de Kirk Hammett vem no final da trilha para completar a obra de arte.

7 – The unforguiven 3: De cara minha música preferida. Apesar de não apresentar o mesmo sofrimento das suas irmãs mais velhas, the unforguiven 3 ainda cria um clima de tirar o fôlego com o começo em violoncelo e piano. O refrão é super profundo. Virou ate “frase de MSN”. Atrai mais pela letra do que pelo ritmo.

10 – My apocalipse: A “porrada” do álbum. Assim como Dyers Eve e Disposable Heroes, essa faixa inflama qualquer “roda punk”, tira qualquer fã do chão e dá torcicolo em qualquer pescoço. O tema “destrutivo” da música com a batida frenética na bateria faz desse um dos melhores trabalhos do Metallica em MUITO tempo.

Considerações finais:

O grupo de James Hetfield e companhia desvirtuou-se de seu caminho há muitos anos atrás com o Load, Reload e as camisas de seda. Aqueles cinco garotos comuns vestindo jeans e camisetas haviam se transformado em coroas ricos que só visavam lucro, pessoas que perderam aquele senso de destruição juvenil de outrora. E com o Death Magnetic, eles tentam voltar às raízes.

Tentam.

É impossível resgatar aquele fogo que ardia em seu peito cerca de 20 anos atrás. As coisas mudam, as pessoas mudam. A vida não parece sumir por entre seus dedos, as trevas não querem mais engolir o seu mundo e não há um mestre de marionetes puxando seus cordões. Há, no entanto, uma família, filhos, contas e responsabilidades. Você cresceu, ELES cresceram. É impossível escrever sobre algo que não faz mais parte da realidade que a banda vive.

Foi isso que aconteceu com o Metallica. A diferença deste para os outros álbuns é a proximidade que os caras chegaram daquela essência devastadora que os levou ao sucesso. Não é o melhor da banda, não é a volta do Metallica, ele nunca se foi para os que realmente acreditavam, é somente uma ótima tentativa de agradar os fãs mais crentes da banda.

Desta vez me convenceu. Obrigado, Metallica.


Resenha: Histórias Extraordinárias

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Esta resenha foi originalmente entregue à minha professora de Teoria da Literatura como um dos trabalhos do período passado.

Sempre que pretendo resenhar um filme ou livro, penso nos leitores, já que o jornalismo opinativo, em minha opinião, é leitura para aqueles que não gostam de ler. Pesquisei muito sobre outras análises da obra antes de construir a minha e me deparei com dezenas de textos extensos, resumindo cada conto do volume e criticando-os individualmente. Não queria ser igual, queria analisar a obra como um todo.

Um dos fatores que tenta indicar superioridade em uma universidade pública é o conhecimento. Já vi até mesmo pessoas se referindo a outras pela colocação em que passaram no vestibular. Ridículo. Com isso, vários trabalhos e apresentações são feitos como superproduções, na tentativa de impressionar, além dos professores, os colegas de classe. Uma das resenhas, feita por um de meus “colegas”, foi dessa forma, continha umas dez páginas, capa, folha de rosto e etc. Só faltou um índice. Felizmente, foi recepcionada com a seguinte frase: “Eu gostaria de uma resenha, não um ensaio monográfico”

Histórias Extraordinárias, escrito por Edgar Allan Poe, é uma compilação de contos publicados por Baudelaire na França, em 1842. A editora Martin Claret fez uma edição semelhante à do Poeta francês com um preço acessível a várias camadas brasileiras.

Muitas de suas famosas histórias encontram-se nesse volume, como: O gato preto, Os crimes da Rua Morgue e A carta roubada.

O fator mais marcante nas narrativas insanas de Poe está presente nessa obra. Na medida em que o horror psicológico explora as entranhas da psique humana. Suas histórias são extraordinárias nesse ponto, o medo e a loucura são os verdadeiros vilões em seu mundo. Percebe-se, também, a presença do pensamento analítico nas narrativas investigativas, típico de histórias famosas de detetives como as de Sherlock Holmes.

Depreende-se, assim, com a leitura dos contos, que Poe trabalha com maestria os mistérios da vida e da morte, usando esse fator sempre para envolver seu público em uma ânsia pela próxima página, pela próxima história.

Dessa forma, o que há em Edgar Allan Poe é um talento narrativo e uma forma criadora que inspira e cativa leitores através dos séculos com suas belíssimas escrituras, ricas em detalhes e mistérios. Esta bela obra se torna indicada a todos aqueles adoradores de um dos mestres do gênero gótico e policial da literatura e até mesmo àqueles que ainda não são familiarizados com o autor e se teu trabalho.


Resenha: Never Back Down

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Depois do gosto amargo deixado por RedBelt, além da continua empolgação com o mundo das mixed martial arts, “aluguei” ontem o recém saído dos cinemas Never back down.

O longa conta a história de Jake Tyler (Sean Faris) um adolescente problemático e temperamental que sempre se mete em sérias brigas, já foi expulso de escolas e até preso. Apesar disso, ele não é um mau garoto. Sente-se culpado pela morte do pai e a todo o momento esse fardo parece cair sobre suas costas. Quando isso acontece Jake inevitavelmente explode.

Quando o filho caçula dos Tyler ganha uma bolsa de estudos na Flórida, a família se vê obrigada a mudar pra outro canto do país. Nada de novo começo para Jake e companhia. Um vídeo começa a se espalhar rapidamente pela web mostrando uma das explosões físicas do garotão malvado. Nada demais, a não ser que você esteja em uma escola onde o principal hobby é organizar lutas clandestinas entre os estudantes.

Após uma armação tramada pelo garoto popular e executada pela bonitinha do pedaço, Jake é severamente espancado publicamente. Algo do tipo: “Essa área é minha, seu merda!” Após a humilhação, o “novo no pedaço” procura a ajuda de Jean Roqua, um ex-lutador profissional que ensina MMA em uma academia local. O que seria a solução se desenrola em mais problemas, Roqua é extremamente rígido e Jake tem diversos problemas com autoridade.

Get out of my gym!

Outro aspecto MUITO bem explorado no filme é o modo como a tecnologia afeta a vida dos adolescentes americanos. Centenas de Iphones, Ipods Touchs, Notebooks e acessos ao Youtube são mostrados com total normalidade.

Na parte técnica o filme não faz feio. Toda a fotografia é bem feita. Cenas muito bem filmadas. O visual esportivo da Flórida, de fácil retratação, ficou perfeito. A trilha sonora é sempre animadora com aquele rockzinho americano digestível e o sistema de “castas” das escolas lá do norte continua óbvio como sempre.

Junte um punhado de estereótipos, clichês e lugares comuns, redundante mesmo, jogue numa panela de tanquinhos sarados e biquínis provocantes, misture com um pouco de pop rock americano e você tem um filme péssimo, certo?

Errado.

Apesar de tudo eu gostei dessa porcaria. Eu sei que a história é muito fraca, que o forte de Faris não é a atuação, que por várias vezes me senti vendo algum filme pela segunda vez, mas resultado ficou bem coeso. Ficou bom.

As cenas de luta são muito boas, rápidas e dinâmicas. Os problemas pessoais, a solidão de Jake são bem identificáveis com momentos ainda vividos por mim. É um filme teen idiota, não vai engrandecer seu intelecto ou motivar admiração nas mais idiotas ainda rodas Cult universitárias, mas cumpre seu objetivo. Ele diverte.

Desliga a mente e aperta o play.

Elenco: Sean Faris, Amber Heard, Cam Gigandet, Evan Peters, Leslie Hope, Djimon Hounsou.

Direção: Jeff Wadlow

Gênero: Ação

Duração: 110 min.

Distribuidora: Paris Filmes


Humor e televisão

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Como qualquer criança que cresceu nos anos 90, tive grande influência da tecnologia em minha formação de caráter. Videogames, filmes e desenhos animados eram quase sempre mais importantes que uma pelada na vizinhança (sem duplo sentido, por favor) ou empinar pipa com os amigos.

Um dos programas infantis que marcou minha infância foi o Castelo Ra-tim-bum, exibido pela TV Cultura. E inexplicavelmente, em meio a tantos personagens coloridos, folclóricos ou felizes de uma forma quase psicotrópica, minha atração preferida era o “porque sim não é resposta”, estrelado por Marcelo Tas. O quadro trazia algumas explicações quase científicas sobre assuntos do dia-a-dia e fertilizava a imaginação de milhares de crianças nerds país afora.

Com o passar do tempo minha admiração por Tas cresceu de forma exponencial à minha idade. Assisti dezenas de contribuições do apresentador em episódios de Roda Viva ou Sem Censura e o via como um ícone da inteligência pop. O problema é que não só eu enraizei essa visão.

Atualmente, a Band exibe o programa Custe o Que Custar (CQC), nas noites de segunda a partir das 22h15min, que traz Além de Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Marco Luque, gênios da comédia stand up nacional, Marcelo Tas como apresentador principal no centro da mesa.

Precisava?

Tas tem uma figura conhecida, e icônica entre nossa geração, a sua inteligência e preparo acadêmico são inquestionáveis. No entanto, sua participação no programa é completamente irrelevante. Fico triste ao ver as piadas soltas pelo apresentador. Nada que se compare aos vídeos e shows de Bastos e companhia.

Essa presença conhecida faz-se necessária, apesar de tão apagada, para tornar toda a interface amigável e conhecida. Um punhado de ilustres desconhecidos não ia angariar o sucesso desejado pela emissora.

O CQC foi formado com um intuito muito bom. A televisão, como mídia de massa, faz com que o programa fique “emburrecido”. A população em geral não absorveria o humor ácido e diferenciado que os outros participantes estão acostumados a destilar nos palcos dos clubes de comédia e a solução foi criar uma espécie de Pânico na TV mais inteligente. Marcelo Tas, pela primeira vez em sua carreira televisiva, torna-se uma injeção de desânimo para os telespectadores mais críticos.