Meus sentimentos por Sandman, brilhante série de Neil Gaiman, sempre foram muito respeitosos. Como falei por aqui, conheci o mundo dos quadrinhos há pouco tempo, mas já tive a oportunidade de ler grandes obras como Watchmen e Preacher. O que não foi dito, é que não possuo essas revistas. Li por meio de scans em meu computador. É feio, eu sei.
A literatura é uma das poucas artes que realmente tenho MUITA pena de piratear, seja por ser a área que escolhi como profissão ou porque é extremamente mais prazeroso segurar o livro em mãos, sentir a textura, cheiro e etc. Sandman, por outro lado, é importante demais, é genial demais para ser lido de uma forma fria e impessoal.
Já conhecia o trabalho de Gaiman por intermédio de romances como Filhos de Anansi ou Deuses Americanos e, por se tratar de meu autor internacional preferido, e por motivos citados anteriormente, deixei Sandman de lado devido ao seu preço e só voltaria a prestar atenção na série quando fosse economicamente saudável. Agora, já é.
Recentemente a editora nacional Pixel Media começou a relançar os volumes da série. Não são aqueles lindos livros de capa dura da Conrad, mas ainda assim é um trabalho muito bem feito, todo em papel especial envernizado e recolorizado nos Estados Unidos, onde foi lançado em uma edição chamada Absolut Sandman.
Há também muitos extras inéditos no Brasil, que mostram desde a criação do personagem e sua apresentação à DC comics, até o processo de criação de capas com comentários dos autores. Algo que realmente faz da revista uma peça única.
O primeiro volume, Sandman: Prelúdios e Noturnos, já está disponível e custa R$ 29,90 em bancas ou livrarias. Comprei o meu, porém, em promoção na Saraiva por R$ 23,00. A série será publicada trimestralmente, o que não deve apertar o bolso de ninguém.
A importância de Sandman para, não só o mundo das histórias em quadrinhos, mas para o mundo literário como um todo é inegável. A maestria da retórica de Gaiman ao brincar com o inconsciente e o mitológico explorando (mais uma vez) o mundo dos deuses alternativos que caminham entre os humanos, combinada com o traço simples e ao mesmo tempo incisivo de Sam Kieth e Mike Drindenberg incentiva a leitura até mesmo daqueles que não são lá muito chegados em livros.
A iniciativa da Pixel, também, é louvável. O relançamento das edições com um custo mais acessível à maioria da população pode ajudar a difundir ainda mais essa obra prima da nona arte e desmitificar a lenda de que história em quadrinhos é coisa de criança.
Bons sonhos!
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada