De acordo com o Michaelis Online, Acreditar é: “dar crédito a, ter como verdadeiro”
Escutem bem as palavras “ter como verdadeiro” reverberando no ambiente.
Pelo que vejo, uma pessoa que acredita em algo ou alguém, não precisa de provas para demonstrar sua devoção. Você pode acreditar que 2 + 2 = 5 e, por mais que a matemática, a lógica e o bom senso provem o contrário, nada mudará sua convicção.
Em seu livro Deus, Um delírio, Dawkins, ao falar sobre crenças, comenta sobre a crença do próprio Jesus cristo. Três hipóteses são analisadas: Jesus era o filho de Deus, Jesus era um homem malévolo que enganou todos seus conterrâneos incultos e mudou o modo como as pessoas pensam, infelizmente, até hoje, ou a pior das três, Jesus realmente ACREDITAVA que era um ser santo.
Quando alguém acredita ser Napoleão, um homem enviado do futuro para salvar a Terra de robôs malignos ou um Alce, que seja, inevitavelmente acaba em um manicômio, mas quando este mesmo alguém acredita em um ser sobrenatural vindo do nada que em toda sua benevolência criou todo a existência a partir do nada e até hoje muda constantemente as leis universais em prol de uma única criatura claramente desmerecedora, ele está plenamente certo pelos padrões sociais. Citando Robert M. Pirsig: Quando uma pessoa sofre de um delírio isso se chama insanidade. “Quando várias pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião”
Ao debater este argumento com meu ainda não oficializado grupo de discussões filosóficas-ateístas fui lembrado instantaneamente de outro caso parecidíssimo, o astro do Super Pop, Inri Cristo, que, para quem não sabe, é aquele senhor de idade que geralmente aparece em programas de massa ou cultura pop debatendo com outros líderes religiosos e afirma ser a reencarnação de Cristo.
Inri, que um dia já se chamou Iuri de Nostradamus, nome que adotou quando “trabalhava” como vidente e conselheiro, SUPOSTAMENTE sofreu uma revelação sobre sua verdadeira identidade aos 33 anos de idade enquanto fazia jejum no Chile. Logo em seguida iniciou sua peregrinação mundial gritando aos sete ventos que era Jesus Cristo. Ao divulgar sua palavra, Inri foi expulso dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Encontrou, finalmente, seu lar em um país de terceiro mundo com uma mentalidade religiosa infantil, arcaica, e com trâmites burocráticos incompetentes demais para pôr um fim à sua cruzada de falácias, o Brasil.
Nessa hora eu deveria falar o quanto é inacreditável que uma criatura tão singular como esta tenha vários seguidores ao redor do mundo, mas nem é tão inacreditável assim.
Talvez Inri Cristo não seja mais um charlatão randômico que estamos acostumados a ver por aí, talvez ele REALMENTE acredite que seja um ser místico enviado para salvar a humanidade com base em aparições na televisão, um site que quase causa convulsões e paródias de músicas famosas. Há até relatos de seus “milagres”, lá constam curas milagrosas de paralíticos, tuberculosos, pessoas com cânceres avançados, entre outros. No mesmo endereço eletrônico também se encontram vídeos de performances místicas sensacionais de suas assistentes.
Penso, ainda que se Jesus Cristo voltasse para anunciar o fim do mundo, ou o qualquer coisa que seja, não seria através de programas da Rede TV e mesmo assim as pessoas o tratariam como mais um falso profeta.
Acreditar é como fugir da realidade e abrir mão da curiosidade humana sem nenhum benefício além de um falso conforto pessoal. Quando as pessoas acreditam em algo, provavelmente irreal, são capazes de levar tais crenças ao extremo de agredir civilizações inteiras, como os atentados de 11 de setembro ou qualquer um dos homens-bomba que ceifam centenas de vidas inocentes todos os dias no oriente médio. Acreditar é perigoso. Se ninguém nunca tivesse perguntado o porquê, não teríamos todos aqueles lindos livros sobre variados assuntos, não teríamos a liberdade de expressão e nem mesmo a internet ou tecnologia para produzir este blog.
Não falo só de Inri Cristo, essa criatura obviamente tem um problema grave e devia estar sob tratamento psicológico severo, ao invés de se aproveitar desta fama errônea, mas sim todas as pessoas com crenças cegas que tomam algo por verdade sem tentar enxergar com os olhos da razão.
Novamente repito: Acreditar é perigoso, tente saber.
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada