Lembro bem do meu primeiro contato com os filme de Guy Ritchie, tinha 16 anos e era uma tarde comum na escola, chato como qualquer outro, quando um dos meus colegas de classe começa a imitar movimentos de boxe e contar para um terceiro sobre o filme que ele havia visto na noite passada. As palavras “Tijolo” e “Brad Pitt” foram ouvidas sem muito entusiasmo naquele dia. O DVD do filme rodou de mão durante toda a semana até chegar a mim. Juro que não sabia o que esperar ao colocar Snatch: Porcos e diamantes no aparelho. Só maravilhas desde então.
Para quem não sabe durante uma fase sombria que durou todo seu casamento com Madonna, Guy Ritchie dirigiu alguns filmes sem expressão que não merecem nem mesmo ser citados aqui, e RocknRolla: A grande Roubada, é o primeiro longa do diretor que retoma suas velhas origens: O submundo do crime na Inglaterra.

“As pessoas perguntam: O que é um RocknRolla? Eu digo a elas que não tem nada a ver com baterias, drogas e picadas. Oh, não. É muito mais que isso, meu amigo. Todos gostam de um pouco de boa vida. Alguns, o dinheiro. Alguns, as drogas. Outros o jogo do sexo, o glamour, a fama. Mas um RocknRolla, oh, ele é diferente. Por quê? Por que um RocknRolla quer a porra toda!!!”
O filme conta a história de OneTwo (Gerard Butler) e o Bando Selvagem, grupo formado por alguns bandidos meio inexperientes que acabam tirando a sorte grande em um “trabalho” armado pela contadora do bilionário russo Uri Omovich (Karel Roden), a financeiramente criativa Stella (Thandie Newton). Após o roubo, uma série de contratempos e mal entendidos, colocam chefões do crime londrino, a máfia russa, astros do rock e drogados furiosos no caminho do bando em uma trama tão complexa (típico de Ritchie) que só é entendida e desvendada nos minutos finais da narrativa.

Na parte técnica, RocknRolla não faz feio. A fotografia é GENIAL. As cenas acinzentadas, como a da perseguição no túnel, são lindas e contribuem ainda mais para o clima “underground” da história. As Atuações deixam muito pouco a desejar, talvez não tenha me identificado muito bem com Thom Wilkinson, como Leny Cole, já que ele merecia uma postura mais ameaçadora, e não tão fraca como mostrado. Butler, por sua vez, rouba a cena sempre que aparece. Seja debochando dos russos ou com seu amigo homossexual. Imperdível.
Quem conhece Snatch e Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, vai se identificar MUITO com o estilo de filmagem, e até com a abertura do filme, com as imagens “desenhadas” apresentando os atores ou facetas da trama.

E é exatamente por isso o filme deixa de ser tão grande como deveria. Comparações são inevitáveis, e em comparação RocknRolla perde para seus irmãos mais velhos. Podemos ver vários elementos sendo repaginados dos filmes antigos, como o sumiço da pintura, e um grupo de amigos tentando aparecer no mundo do crime. É insuficiente para fazer de RocknRolla um filme ruim, mas, de qualquer forma, esperava mais originalidade de um verdadeiro filme de Guy Ritchie.
Ainda preciso manter-me imparcial sobre RocknRolla, já que não se trata de um filme isolado, como as antigas obras de Ritchie, e sim da primeira parte de uma trilogia que até o momento está prometendo muito. Mas por enquanto, mesmo com esse futuro incerto, RocknRolla já merece ser visto e apreciado como um filme BEM acima da média.
Gênero: Ação
Tempo: 114 min.
Lançamento: 31 de Out, 2008
Classificação: 16 anos
Distribuidora: Warner Bros.