Resenha: Watchmen

Assisti domingo passado ao que considero a melhor adaptação de uma história em quadrinhos de todos os tempos: Watchmen.

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Assim como na HQ de Alan Moore e David Gibbons, o filme conta a história dos Watchmen, os vigilantes. Um grupo de super heróis relativamente comuns, ou seja, sem super poderes que mantinha a ordem nas ruas e cumpriam missões governamentais em várias situações. A trama se passa em uma realidade alternativa do século passado, no começo dos anos 80. Vários personagens históricos e eventos marcantes são retratados neste universo paralelo, como Richard Nixon e a guerra do Vietnam.

Watchmen difere das outras histórias de super heróis por focar-se no drama ao invés da ação. Através da Lei Keene, todo e qualquer combatente mascarado é proibido de sair às ruas, o que acaba gerando sofrimento e raiva por parte dos protagonistas. O contexto se desenvolve a partir deste ponto. Heróis acabam ficando loucos, se aposentam, caem em esquecimento ou ainda vivem nas glórias de seu passado.

A pedra fundamental do filme é a Guerra Fria que coloca o mundo em constante estado de tensão com os Estados Unidos e a URSS cada vez mais armados.

Como já dito, Watchmen é uma das adaptações mais fiéis já feitas de uma revista em quadrinhos. Há certas cenas que são idênticas aos desenhos de Gibbons. Li em muitos blogs reclamações sobre o final que foi sutilmente alterado, mas todas as mudanças foram necessárias para atingir o grande público e tornar o filme mais acessível. A história não foi emburrecida. Nunca, mas há de ser lembrado que nem todos são nerds ou se adaptam tão facilmente à ficção científica. Concordo totalmente com a decisão de Gibbons e dos produtores.

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O filme possui uma fotografia genial. As cenas são tão belas que qualquer uma poderia ser congelada e emoldurada na parede. A trilha sonora não fica atrás. Janis Joplin, Hendrix e Leonard Cohen preenchem o fundo do filme com maestria. Até quando se pensa que as músicas não correspondem fielmente às cenas, pegamo-nos encantados pelo resultado.

A melhor parte desta obra, no entanto, é a construção dos personagens e a profundidades que eles conseguem adquirir mesmo sendo em grande número. Rorschach está brilhante. Com ou sem máscara o lobo solitário assume o papel de maior destaque com todas as honras. A mente doentia do herói foi interpretada perfeitamente por Jackie Earle Haley, tanto nos momentos de fúria onde o ator parecia uma pedra de gelo, como em único momento de fraqueza, onde mostrou toda a emoção que o momento carregava. O comediante, Edward Blake, em seus flash backs também transpõe para a tela todas as frustrações de um homem desiludido que viu e fez o mal. Ponto para atuação do ótimo Jeffrey Dean Morgan.

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Apesar de ser o fiel retrato de uma das 100 maiores obras literárias do século XX, Watchmen não agrada todos. Gosto de comparar este filme com outro trabalho do diretor Zack Snyder, 300. A saga de Leônidas tinha uma trama mais óbvia focada na ação e batalhas alucinantes dos espartanos. Watchmen, por sua vez, relata em primeiro plano o drama sofrido pelos heróis perseguidos e forçados a esquecer seu estilo de vida. É como pesar Cidade de Deus com Tropa de Elite. O primeiro mostra, além de tiroteios, o drama da favela e daqueles que lá vivem, enquanto o segundo faz uso de toneladas de violência para passar sua mensagem. Ambos os filmes são bons, mas as massas sempre preferem algo de fácil digestão.

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Watchmen merece ser visto com força. Já disse mil vezes: É lindo. Abra a cabeça, vá ao cinema com calma, já que o filme dura quase três horas, tente se focar na história e nos personagens. Não é Tropa de Elite. Não é 300. Não é um filme de ação. É Watchmen.

3 Respostas para “Resenha: Watchmen”

  1. Vinicius Disse:

    so assisti 300 e cidade de deus.
    nunca vi tropa de elite, mas recomendo “noticias de uma guerra particular”.
    esse watchman eu vim conhecer por causa do filme.
    nunca tinha ouvido falar nos quadrinhos

  2. Will Disse:

    Olha, até que enfim encontrei uma opinião semelhante a minha sobre esse filme…
    Caralho, deu vontade de chorar ao ver a cena da morte do Comediante e a do seu enterro…que fotografia, que trilha sonora…assisti 2 vezes, faltam 998, mas eu chego lá!

  3. Alex Disse:

    Não gostei do filme, ele ficou muito abaixo do esperado, pela historia em quadrinhos que inspira o filme, e pelos belos trailers eu achei que ia vir coisa boa, mais não vi isso quando fui ao cinema. O diretor Zack Snyder é aquele tipo de cara que não tem muito talento e sabe bem disso, e ele assiste filmes brutais e maguinificos como Gangues de Nova York, Onde os Fracos Não Tem Vês, Os Infiltrados e tantos outros filmes ótimos que tem sua brutalidade e pensa que basta isso para que o filme fique bom. A lendo mais não tem o nosso ”presidente no final” o monstro inter-dimencional que destrói a cidade de Nova York, o que era disparado o melhor da historia de watchmen, que foi substituído por uma bomba sem grassa. É como um diretor fazer um filme sobre a vida de Jesus e não contar sobre seu crucificamento. O Lula como é conhecido dos fãs de watchmen, é o mostro de tentáculos que da todo o sentido da trama no final, mas é substituído por uma bomba de radiação que nem de longe da o mesmo sentido do mostro, para uma historia baseada na paranóia da Guerra Fria. Agora vamos ter que esperar uns 20 anos no minimo para ver uma historia de um filme de watchmen baseada na sua ideologia e não no seu visual legal. Alan Moore esta serto de não querer assistir a sua própria obra prima no cinema nem amarado, a mentalidade Hoolliwodiana é uma mentalidade que sabe fazer um bom orçamento, mais não sabe distinguir uma poesia de uma prosa, como ele disse no ano passado para o site omelete.com.br, já prevendo o fracasso de Watchmen.

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