O Espinafre de Yukiko

Sei que o blog está sendo atualizado de maneira porca por estes dias. Acho que entrei naquele estágio da vida que há muito que fazer e quase nada para falar. A boa notícia deste parágrafo introdutório é que já havia começado a escrever outro texto religioso quando tive a ânsia de digitar este. Logo mais vêm atualizações por aí. Enjoy.

Não sou uma das pessoas mais fáceis de conviver, acho que por minhas opiniões fortes e senso de humor ácido, algo que sempre transborda aqui no EntrelinhaZ, deve ser bem perceptível. Uma destas peculiaridades, e talvez nunca antes dita aqui, é o ciúme que possuo de livros. Detesto emprestá-los e da mesma forma evito com violência ler obras que não são minhas. Esta semana passada, quinta feira para ser mais exato, recebi quase uma intimação de uma pessoa muito querida para ler O Espinafre de Yukiko, um de seus livros preferidos.

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O Espinafre de Yukiko, escrito e ilustrado pelo quadrinhista francês Frédéric Boilet, é um Novelle Manga (movimento literário inspirado no Novelle Vague do cinema francês que procura, da mesma forma que seu irmão mais velho, mostrar modos narrativos diferenciados abordando o intimismo e histórias cotidianas em suas tramas) publicado em 2005 no Brasil pela Conrad e conta os amores e desamores de, pasmem, Boilet durante uma viagem ao Japão.

Sim, o cara é autor, ilustrador e personagem principal. Nada, porém, que deixe a história menos agradável. Muito pelo contrário, o ar de “experiência de vida” contido na obra atrai cada vez mais a atenção.

No decorrer desta visita ao Oriente, o personagem de Frédéric conhece Yukiko Hashimoto durante uma apresentação de Novelle Vague. Consegue o telefone da moça e logo se apaixona. Seu sentimento, no entanto, não é correspondido. Yukiko gosta de outro. Devido a uma indisponibilidade momentânea deste terceiro, o casal decide viver uma história entre parênteses. Um amor com prazo de validade.

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A beleza deste conto se dá principalmente pelo seu estilo de narrativa. Assim que conhecemos os termos da relação de Frédéric e Yukiko, acompanhamos cada data na agenda do francês com um aperto no coração. A história é contada como uma lembrança dos encontros da complicada dupla e percebe-se de forma clara que conforme o tempo passa a afinidade dos dois aumenta bastante, mesmo com a consciência do “não gostar” imposta pela situação.

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As ilustrações de Boilet se confundem com a realidade de uma fotografia, o que contribui ainda mais para o clima de veracidade que a história transpira. Os tons de cinza sobrepostos conseguem transmitir com perfeição até mesmo a idéia de movimento e velocidade. Há certas expressões no rosto de Yukiko que parecem saltar do papel e causam até certo choque fazendo com que o leitor pare por vários segundos somente para observar a garota. A maioria das cenas protagonizadas pela musa inspiradora do autor carrega um ar meio surreal, onde os desenhos acabam sendo ofuscados pela paixão de Boilet.

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O Espinafre de Yukiko é de fato um livro marcante. Talvez por me encontrar em um momento que minhas relações interpessoais também possuem prazo de validade, talvez pela profundidade que os personagens e suas caricaturas quase animadas ganham no decorrer da trama, ou, quem sabe, talvez por ser o primeiro livro que recebo emprestado em, sei lá, uns cinco anos. Os cheiros eram diferentes, as páginas tinham outra história pra contar além daquela que estava escrita e, vários pares de mãos repletos de pensamentos diferentes, de sentimentos diferentes já haviam estado lá antes de mim.

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Através de personagens complexos, de um enredo que facilmente cativa aqueles que o lêem e ilustrações únicas e lindas, Frédéric Boilet consegue narrar com perfeição acontecimentos que, se não foram, poderiam ser reais e fazer parte da vida de qualquer um. Da minha ou da sua. O Espinafre de Yukiko traz consigo inúmeros pontos de reflexão pessoal. Definitivamente uma das melhores “graphic novels” que já passaram por aqui.

Apesar de pessoalmente detestar ler no PC, o link de para o download está AQUI. Realmente vale a pena.

E sobre o nome? Bom, só lendo.

9 Respostas para “O Espinafre de Yukiko”

  1. Nathalia Lima Disse:

    Hum
    só tu pra chegar naquela faCUldade com esse espinafre e me arrancar um sorriso :)
    texto bonito, sem prazo de validade. e eu estive lá antes de ti ;

    tomara que uma yukiko salte do papel pra ti

    (e esse ‘evito com violência’ vou pegar emprestado em troca)

  2. Nathalia Lima Disse:

    Yukiko é pra passar uma tarde bonita de sol amarelo e tranquila. bons tempos

  3. Fernando Portelada Disse:

    evitar com violência domina =*

  4. Vinicius Disse:

    O traço é lindo. Mas nao faz meu estilo de historia.

  5. Frango Disse:

    Bom, muito legal. fiquei interessado pela historia. Nao, nao vou baixar, eu realmente odeio ler no pc!

  6. Samanta Disse:

    Bom, tem um clima bonito de sutileza e alguma nostalgia. Mas acaba que tbm não me prende totalmente, que nem os quadrinhos do Manara.

  7. Will Disse:

    Ótimas ilustrações!!

  8. Allan ykiz Disse:

    Agora posso dizer o quão pessoal achei essa resenha!

    =p

  9. Yuki Disse:

    Nossa… Batendo o olho, me parece estranho esse título, até porque o meu nome é Yukiko também.

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