Flight 666 – The Movie.

Abril 22, 2009

70 mil Quilômetros. 45 dias. 23 shows. Uma exibição. Eu estava lá.

666poster520

Havia algo diferente no ar. Era inegável que uma coisa grande estava para acontecer. O contingente de cabeludos e camisas preta no shopping havia triplicado naquela noite. Iron Maiden era a banda e as palavras da vez. Ontem, dia 21, o filme Flight 666, documentário sobre parte da última turnê da banda britânica, Somewhere Back in Time, teve sua estréia mundial. Somente uma sessão seria disponibilizada.

O longa foi filmado por Sam Dunn e Scot McFadyen, também idealizadores do filme: Metal – A headbanger’s history, que voaram a bordo do avião particular da banda, Ed Force One, por 5 continentes acompanhando vários shows históricos, como no Chile, país de onde a banda havia sido banida por apologia ao satanismo. Pura besteira.

bruce-comandante

Difícil nessa hora falar de atuações, de fotografia ou qualquer outro aspecto técnico do filme. Não somente por se tratar de um documentário, mas por se tratar do Maiden. FUCKING Maiden.

A trilha sonora, porém, é das mais lindas. Como de se esperar, durante as quase duas horas de filme, somos bombardeados com o melhor do metal. Todos os hits clássicos estavam lá: Fear of the Dark, Two minutes two midnight, Run to the Hills, entre outras. Cada um tocado com perfeição e som surround 5.1.

Algo que também percebemos no decorrer da “trama” é a desmistificação dos membros da banda como seres imortais e inalcançáveis. Vemos Harris doente, Niko comendo pizza, Bruce fazendo brincadeiras. Algo realmente bem humano.

iron1

Como muitas das pessoas presentes, principalmente em uma cidade pequena como a minha, jamais terá a oportunidade de ir a um show como aqueles mostrados no vídeo, Flight 666 era o mais próximo do real que a maioria iria ver. Isso acabou criando um clima de festa geral no cinema. Fotos, gritos, e chifrinhos eram feitos a todo o momento. Como se sabe, os rockeiros são o pior do rock. Nada, porém que prejudicasse o brilho de estar neste momento “histórico”.

Quem esperava se tratar de só mais um show, como aqueles vendidos par promover um novo CD, enganou-se. Também estava errado quem pensou se tratar de um filme monótono cheio de cenas não vistas e com toda cara de: “história por trás da história”. Flight 666 é mais que isso, é uma conquista. A maior turnê da história da banda, aquela que relembra seus clássicos não tocados dando oportunidade para aqueles não nascidos na década de 80 poder vê-los ao vivo. Um marco para o metal. Eu recomendo.


W3: Instinto de Sobrevivência.

Abril 16, 2009

Há certos momentos na vida de um blogueiro (risos) ou escritor (risos histéricos) que algum material salta com força à nossa vista atrapalhando planos e criando um sentimento apaixonado que incita a escrita quase imediata de algo. Isso aconteceu hoje. Havia um texto mal acabado pairando no desktop e outras duas boas idéias na cabeça. Desnecessário dizer que tudo foi empurrado para um canto qualquer. Todo este frenesi foi causado por W3: Instinto de sobrevivência.

WE3_1280x1024

WE3, minissérie escrita por Grant Morrison e desenhada por Frank Quitely, foi publicada no Brasil pela Panini Comics em 2006 e conta a história de três animais domésticos (Um cachorro, Bandit, um gato, Tinker, e um coelho, Pirate) que, após um treinamento feito pelo governo americano e a implantação de modernos exoesqueletos de batalha, tornam-se poderosas armas de guerra, o grupo WE3 (Weapon 3 ou Nós 3, na tradução de um significado subjetivo).

Pela sinopse WE3 parece se tratar de uma história repleta de ação. Quem pensou assim não se enganou. A HQ é Brutal no melhor sentido da palavra. Sangue e selvageria banham as páginas com vários tons de vermelho. Quem pensou, porém, que se trata somente de violência gratuita enganou-se.

005-WE3 002 (Rembrandt-DCP)

Para começar os personagens principais, 1, 2 e 3, cachorro, gato e coelho, respectivamente, são absurdamente bem construídos e com personalidades bem definidas, Bandit segue aquele estilo de melhor amigo do homem, sempre tentando manter a ordem e ser benevolente com a raça humana, Tinker é o espírito livre, reclama de tudo, desconfia de todos, e o coelho, Pirate, é o mais ameno dos três, mantendo o clima entre os dois primeiros em níveis suportáveis. Até as atitudes do trio são pensadas e chegam a causar empatia e comoção nos leitores mais emotivos. O vocabulário dos animais em WE3 é outro grande trunfo. Os bixos se comunicam com uma linguagem fragmentada, um léxico muito escasso, o que carrega as cenas com um tom ainda mais dramático.

011-WE3 002 (Rembrandt-DCP)

O traço de Quitely é lindo. Um dos mais bonitos que já tive o prazer de ver. Somente um artista tão talentoso poderia carregar somente com seus desenhos uma história sem falas da narrativa. O narrador, apesar de obviamente existir, não se manifesta. Toda a trama é contada em diálogos e imagens. O enredo, também é muito conciso. Não deixa pontas soltas, não possui um final que transborda sentimentalismo e o mais importante: não deixa uma indesejada abertura para seqüências mal feitas.

Em suas curtíssimas três edições, WE3 adentra o mundo da ficção científica de forma adulta e polêmica, mesclando doses cavalares de ferocidade com emoção e ternura. O gênio narrativo de Morrison faz com que a obra seja recomendada para todos, inclusive aqueles que não são fãs do gênero. Uma fórmula perfeita de como fazer uma bela HQ.

Os três volumes da série estão disponíveis AQUI.

Para a leitura é necessário o CDisplay.


Dexter: “A” série.

Abril 9, 2009

dexter_intro

Não arrisco muito escrevendo sobre televisão. Isso é fato e os leitores mais ávidos podem comprovar. A última vez que teclei algo sobre esse tão conturbado mundo do entretenimento acabei em decepção. Foi este post aqui sobre o começo da última temporada de Heroes, que, como a grande maioria dos fãs antigos, também já abandonei. Por outro lado, falo agora daquela que considero a melhor série dramática dos últimos tempos. Dexter.

Diferente de Seinfeld, que marcou o começo de minha adolescência, Dexter não tem um humor peculiar ou um sarcasmo afiadíssimo. Para quem não sabe, o seriado trata de assassinatos. Sim, assassinatos. Dexter Morgan, personagem principal, é um Serial Killer. Não como Hannibal Lecter ou, sei lá, o mascarado idiota de Pânico. Dexter trabalha como especialista forense na polícia de Miami.

Entenderam o paradoxo?

Dexter vive sob um estrito código de honra deixado por seu pai, também policial, que o ensinou a suprir tais necessidades, e só eliminar aqueles que possuem certos requisitos que os tornam ameaças para a sociedade. Um assassino que só mata assassinos. Somente com esse começo já teríamos um ótimo programa, mas, felizmente, Dexter vai muito além.

O foco principal da trama muitas vezes não está somente nas mortes ou nas vontades doentias do protagonista e sim na sua vida pessoal. Em como máscaras podem ser levantadas e como um homem obviamente problemático pode conciliar dois comportamentos completamente opostos. Um maniqueísmo vivo.

Um dos principais motivos da soberba de Dexter é a atuação de Michael C. Hall no papel do assassino homônimo à série. Michael, já consagrado pelo trabalho no teatro e pela sua atuação na grande série dramática Six Feet Under, chega ao topo de sua carreira com Dexter. Ver Hall como um Serial Killer é quase natural. Como a calma superfície de um lago que esconde um turbilhão nas profundezas, o ator ao mesmo tempo em que exibe a calma e frieza de um assassino, pode ser amoroso e companheiro de forma bem convincente. Perfeito.

dexter1

Outro fator importantíssimo, e, que em meu ver, faz uma diferença enorme, é o número de episódios de cada temporada. São 12. Nem mais nem menos. Devido ao número reduzido, todos os capítulos trazem grande importância ao enredo sem dar margem para fillers, algum grande desvio de roteiro ou mistérios sem solução. Vide Heroes, e Lost, respectivamente.

Até agora a série mostra uma consistência admirável. Em três temporadas conseguiu, além de manter seus fãs antigos, arrebatar novos cada vez mais fervorosos. A narrativa encontra maneiras de explorar, além do talento incontestável de Hall colocando-o em várias situações adversas, reviravoltas e embates psicológicos cada vez mais intensos, fazendo o expectador saltar em um mergulho às profundezas da mente deste adorável assassino.

DEXTER (Season 2)

Dexter não é repleta de efeitos especiais. Não é dirigida por algum dos intocáveis de Holywood como Abrams ou Bruckheimer. Não tem algum grande nome do cinema à sua frente. Não importa. Não precisa. Sucesso se faz com talento, dedicação e qualidade. Isso Dexter tem de sobra.

Assistam!


De onde vem o seu ateísmo?

Abril 7, 2009

Atheism_by_Joo_JooEyeball

Óbvio dizer que esse texto tem um público alvo bem restrito.

Meados de 1998. Eu, na época com 11 anos, adorava as aulas de história da professora Justina no Reino Infantil. Uma senhora com quase 70 anos que mais parecia um cone de trânsito tamanha era sua presença em sala de aula. Não importava, adorava a matéria, tanto que até pensei em cursar História no ensino superior. Enfim.

Estudando civilizações antigas, astecas, incas e derivados, a parte que mais chamava atenção era a dos sacrifícios humanos. Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha. Nós não estamos.

Pense: Os já mencionados ameríndios antigos, povos nórdicos, cientologistas, muçulmanos, adoradores do macarrão voador e tantos outros estão realmente errados? Pessoas se matavam por suas crenças. Eles estavam errados?

Não. A infantilidade é a mesma.

Acreditar em seres místicos invisíveis, alienígenas, zumbis (seres que ressuscitam após a morte, como aquele chegado, o JC.), e dogmas sem sentido que se contradizem o tempo inteiro é comum em todas as religiões.

É entendível que nos primórdios da humanidade o número de questões não respondidas sobre o universo e a existência eram trocentas milhões de vezes maior do que hoje e qualquer tentativa de explicação era válida. Mesmo quando envolvia mágica e imaginação.

Atualmente as dúvidas continuam numerosas. Sabemos, porém, que a Terra não é o centro do Universo, que dinossauros e homens não coexistiram (por mais que ainda haja pessoas que neguem tal FATO) e que a vida se originou do Big Bang por meio de uma série quase inacreditável de combinação de fatores.

O ser humano é um ser emotivo, claro, mas deixar a emoção dominar vidas a ponto de criar privações e regras sem sentido é doentio. As pessoas tornam-se prisioneiras de suas próprias fantasias, parafraseando uma música do Blind Guardian.

Pois bem, caro leitor, da onde veio o seu ateísmo? Em que momento a grande dúvida se levantou?

Post sem revisão for the win.