Óbvio dizer que esse texto tem um público alvo bem restrito.
Meados de 1998. Eu, na época com 11 anos, adorava as aulas de história da professora Justina no Reino Infantil. Uma senhora com quase 70 anos que mais parecia um cone de trânsito tamanha era sua presença em sala de aula. Não importava, adorava a matéria, tanto que até pensei em cursar História no ensino superior. Enfim.
Estudando civilizações antigas, astecas, incas e derivados, a parte que mais chamava atenção era a dos sacrifícios humanos. Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha. Nós não estamos.
Pense: Os já mencionados ameríndios antigos, povos nórdicos, cientologistas, muçulmanos, adoradores do macarrão voador e tantos outros estão realmente errados? Pessoas se matavam por suas crenças. Eles estavam errados?
Não. A infantilidade é a mesma.
Acreditar em seres místicos invisíveis, alienígenas, zumbis (seres que ressuscitam após a morte, como aquele chegado, o JC.), e dogmas sem sentido que se contradizem o tempo inteiro é comum em todas as religiões.
É entendível que nos primórdios da humanidade o número de questões não respondidas sobre o universo e a existência eram trocentas milhões de vezes maior do que hoje e qualquer tentativa de explicação era válida. Mesmo quando envolvia mágica e imaginação.
Atualmente as dúvidas continuam numerosas. Sabemos, porém, que a Terra não é o centro do Universo, que dinossauros e homens não coexistiram (por mais que ainda haja pessoas que neguem tal FATO) e que a vida se originou do Big Bang por meio de uma série quase inacreditável de combinação de fatores.
O ser humano é um ser emotivo, claro, mas deixar a emoção dominar vidas a ponto de criar privações e regras sem sentido é doentio. As pessoas tornam-se prisioneiras de suas próprias fantasias, parafraseando uma música do Blind Guardian.
Pois bem, caro leitor, da onde veio o seu ateísmo? Em que momento a grande dúvida se levantou?
Post sem revisão for the win.
Abril 8, 2009 às 10:56 am |
“Estudando civilizações antigas, astecas, incas e derivados, a parte que mais chamava atenção era a dos sacrifícios humanos. Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha. Nós não estamos.”
Exatamente isso, axo q na epoca eu tinha uns 12 anos, nunca gostava de ir para a igreja… axava o cumulo do abosurdo uma pessoa acreditar em algo cegamente e nao ter nem vergonha na cara para seguir akilo que acredita… sempre vi akeles que se diziam cristaos quebrando todos os mandamentos possiveis e ainda assim se consideranto tal.
continua, um dia…
Abril 8, 2009 às 7:57 pm |
Parabéns pelo post.
Abril 8, 2009 às 8:10 pm |
P.S.
A questão não é a busca por transcendência em si. Nossos sentidos limitam a nossa percepção do mundo “real”. É um fato biológico. Porém, sentimos que ha mais do que isso. (Olha, não estou falando de um “além supernatural” mas simplesmente de outras faces da realidade que não conhecemos, Qualquer cientista ia concordar com isso).
O problema das religiões não é o reconhecimento da transcendência mas a crença em dogmas. Neste contexto, as tradições antigas (que deveriam ter feito sentido em épocas passadas) se tornam barreiras e até prisões.
Abril 10, 2009 às 8:56 pm |
Fiquei emocionado de ouvir falar de Justina…rsrsrs, ela era muito lentinha hein (perfeita para dar aula de história…um fóssil vivo).
Minha resposta foi ao ‘ar’ algum tempo atrás:
http://vidadowill.blogspot.com/2006/06/futuro-x-passado.html
Abraço e saudações, belo post.
Abril 13, 2009 às 8:27 am |
Eu também nunca fui muito religioso. Nunca fui de frequentar a igreja, mesmo porque meus pais não frequentam. Quando eu fazia 2º estava conversando com um primo meu que já era ateu. Perguntei porque ele pensava assim e com poucos argumentos eu me tornei agnóstico. A partir daí as coisas seguiram o curso natural. Quanto mais informação eu tinha, mas eu via o quanto essas crenças são infundadas.
Abril 13, 2009 às 11:56 am |
Como já disse, não sei se o problema é o “lado religioso” do ser humano. O ser humano é assim, por parte. E se não tiver as “religiões tradicionais” para seguir, tenho certeza que encontrará outros meios de viver tal necessidade.
Agora, muitas crenças são infundadas sim.
Abril 14, 2009 às 2:53 pm |
tem gente que se torna fanático por futebol, né?
Abril 14, 2009 às 6:31 pm |
Torcer = Crer?
Haha.
Nesse caso, pelo menos, vale a pena …
Abril 15, 2009 às 12:16 am |
gosto de comparar fanatismo religioso com futebol =)
mas isso possivelmente terá espaço em outro texto.
Abril 17, 2009 às 6:20 pm |
“Eu, na época com 11 anos, adorava as aulas de história da professora Justina no Reino Infantil.”
CHOREI LOGO =~~~~~~~~~~~~
Maio 9, 2009 às 10:47 am |
[...] onde vem sua religião: Conforto Diante do meu último post sobre religião, De onde em seu ateísmo, que recebeu até comentários produtivos, parto para outra idéia apaixonada que já habitava o [...]
Maio 12, 2009 às 9:10 am |
Todo ser humano precisa de uma forma de crença, seja ela em elementos ditos científicos seja ela em elementos ditos não-científicos ou religiosos, a crença na não-crença não elimina o fato de crença, a falar do ateísmo.
As Religiões como se apresentam ao público acabam sempre levando aos dogmatismos, mas não sem razão, visto que o ingresso em um local sagrado ou em uma ideologia sagrada implica a sacralização do ser humano, ou melhor, a reforma íntima como fator primordial da existência das religiões. Não se deve pensar ou querer que o sujeito se torne igual a Jesus Cristo ou a Buda pelo simples fato de estar em local sagrado ou fazer parte de uma congregação religiosa, sem reforma íntima não há religiosidade.
Outro aspecto bem confortável é tacar pau na religião pelos exemplos ditos “errados” vivenciados no âmbito da religiosidade, o ser humano não é perfeito e nunca será enquanto viver no planeta. A religiosidade e a espiritualidade surgem, em realidade, como força motriz da vida humana, como fonte íntima ao quais as pessoas se encontram com o seu mais íntimo humano, com o seu ser humano em si.
A religião cristã, por exemplo, cometeu e comete muitos erros, irracionalismo e isso são levados aos seus fies pelo mundo todo, contudo o cristianismo como filosofia religiosa maior e acima da religião cristã se demonstra diferente, ao exemplo de Madre Teresa de Calcutá, madre da igreja católica e conhecedora do profundo cristianismo fez o que fez pelo pensamento de paz e amor.
Alongando-me aos termos religiosos como Amor e Compaixão, lhes digo, em verdade de minhas observações, serem conceitos tão quanto difíceis de serem colocados em prática, pois implica a supressão de uma partícula individual, o Ego, tal partícula interna do homem que o torna sujeito de individualidade e de individualismo, essa mesma partícula é, no íntimo de todas as religiões, o alvo da reforma íntima, pense, em que momentos você ama o teu próximo ao ponto de se anular por ele? Em que momentos pessoas do teu dia-a-dia assim o fizeram? Quais as sensações de um pai ou de uma mãe que se sacrificam para promover o melhor dos filhos? Quais as sensações que se tem ao vivenciar tais coisas?
Para finalizar o meu relatório, lhes reafirmo que a crença é algo importante e indissociável da vida humana, dos que crêem no santo do macarrão voador aos que incorrem ateísmo, a crença é de todas as formas uma maneira de dogmatizar o homem, de reformar intimamente o homem, ao verificar o ateísmo se fala de mais dogmas tão quanto à religião católica. Visto que não deves crer em nada espiritual, não deves crer em nada que não possa ver ou tocar, não deve levar teu pensamento às crenças dos fanáticos (o que lhe torna bem fanático), deves manter seu pensamento no racionalismo, na lógica e na verdade. A verdade qualquer sobre coisa alguma jamais será atingida por seres humanos enquanto em nós residirem as amarras do pensamento, as categorizações e os títulos, bem como as especificações e especializações do pensar humano.
(continua no próximo episódio)
Julho 14, 2009 às 1:04 am |
Diga lá, Capeta!,
Não vou me alongar no assunto do post, quero apenas comentar um trecho chave.
“Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha.”
Erro vem do latim “errare”, que é “andar fora do caminho”. Como todo caminho pressupõe um ponto de partida e um de chegada, a todo erro existe uma meta da qual ele se desvia. Se hoje a palavra nos tem essa idéia geral e abstrata de um “errado” pairando no ar, como que ligado a nada, é por ter perdido contato com sua significação concreta original.
Ao analisar um erro se faz necessário iluminar o destino do caminho observado. Lembro aqui, rindo bastante, do Cheshire dizendo “se não sabe aonde quer chegar, então qualquer caminho lhe serve”. É exatamente isso, se você não dá um ponto focal a sua análise, tudo é erro e qualquer coisa serve, já que não há caminho que leve a meta nenhuma.
Descendemos de uma civilização baseada na moral judaico-cristã, por muitos séculos, quando era feito um questionamento moral o termo “erro” não precisava de qualquer revisão. Toda análise moral apontava os erros perante a luz de nossa moral habitual.
Só nesses tempos de relativismo cultural é que a coisa entrou em crise. É comum hoje em dia fazer questionamentos morais com base em nada, consequentemente, chegando à lugar nenhum. O que você faz no trecho que destaquei é justamente isso, uma análise moral, onde busca o erro de certas ações sem trazer à pauta a meta a que você está se reportando.
Um ateu, ao fazer um questionamento moral deve primeiro responder esta perguntinha: “a que estou me reportando?”. E isso aí é pergunta sem resposta numa visão de cosmos que se fecha antes dos limites do mesmo, gira e retorce junto com o mundo. Onde fica o ponto focal que guia esses problemas? Outro dia estava escrevendo ques ser ateu é viver agarrado a um ponto flutuante, dentro de um globo de chumbo, que gira solto dentro da esfera do cosmos. A cada dia tenho mais certeza disso.
Abraço,
Caio “Ertai” Andrade
Julho 17, 2009 às 3:53 pm |
Prezado Caio,
parabéns pelas colocações. Well said.
Abs.
Peter
Setembro 9, 2009 às 9:47 pm |
Sempre gostei de apreciar – bons e honestos – debates acerca da Fé e da Ciência. Eu sou Católico. Tenho plena convicção que a Ciência é a MELHOR DE TODAS AS FORMAS DE COMPREENDER a mente criadora, o arquiteto do universo. Fico feliz quando vejo um debate como esse ser tratado de forma tão sincera e maiores ofensas. Li outro dia um livro de um dos cientistas responsáveis pelo projeto GENOMA que trata justamente disso; o autor Francis Collins afirma que NENHUM cientista honesto pode vir a questionar a existência de Deus porque sabe que um instrumento humano JAMAIS pode vir a provar Sua existência, e se o fizesse estaria agindo de má fé, porque sabe que sua negação não poderia ser provada através do método científico.
Para terminar, vou fazer uma observação aqui: notei que no artigo está uma menção ao Big Bang, e gostaria de fazer uma observação de como a ciência não contradiz a fé. Sabiam que a teoria do Big Bang foi elaborada em uma Universidade Católica? A Igreja apenas não acredita que o acaso possa ter dado origem à tudo que existe. E sinceramente nem eu acredito!