Singularity 7

Maio 23, 2009

Dar uma volta no Vertigem baixando quadrinhos randômicos na esperança de achar algo de qualidade, coisa que geralmente acontece, é algo mais comum do que vocês podem imaginar.

Alguns dias atrás, durante mais uma peregrinação de rotina, lembrei-me das histórias de Bem Templesmith, autor que já virou até motivo de confusão nos site e, porém, ainda não conhecia. A obra da vez foi Singularity 7.

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Singularity 7, lançada em 2004 e publicada pela IDW Comics, mostra de maneira bem inovadora um futuro pós-apocalíptico, algo que sempre atrai os fãs de ficção científica. Após a queda de um meteorito na Terra, Bobby Hennigan é possuído por nanorobôs, os nanitas, que, após se fundirem com seu corpo e mente lhe atribuem certas habilidades especiais de controle material, devido sua natureza replicante e transformadora. Obviamente, aos um começo altruísta, onde suas habilidades eram usadas para implantar melhorias no planeta, as coisas saem do controle para Bobby. Sua existência, assim como a de todos os outros começa a mudar.

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O traço de Templesmith, apesar de não ser do mais tradicional ou realista, adapta-se muito bem à trama. É algo que mistura um aspecto sombrio e disforme. Perfeito para um mundo modificado artificialmente. As cenas de ação e violência também são bem representadas. Vísceras e sangue explodem de forma brutal pelas parcas páginas do volume.

Este fator, o tamanho da história, seria o único ponto negativo durante a narrativa. Singularity possui somente quatro edições. Devido a sua curta vida os personagens não conseguem se aprofundar tanto quando deveria e, findam sua existência sem mostrar sua real personalidade. Apesar de ser claramente contra a prolixidade, a saga contada por Templesmith é curta demais e parece em certos pontos imprensada ou até mesmo contada com pressa o que acaba por tornar a leitura um pouco decepcionante.

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O primeiro contato com as obras de Templesmith não foi dos melhores. Apesar de ler o primeiro volume com voracidade, o final me abateu como uma pá feita de apatia. Para os reais fãs da 9ª arte, com certeza Singularity 7 é algo que merece ser visto e apreciado. Para os não muito familiarizados, a violência exacerbada e a trama meio curta podem assustar. Apesar dos pesares Bem Templesmith merece mais uma chance.

Link para download: AQUI


Star Trek: Live long and prosper.

Maio 16, 2009

Nunca fui um profundo conhecedor de ficção científica espacial. Star Wars, Star Trek, Perdidos no espaço e todos os rebentos interplanetários de décadas passadas sempre foram uma grande incógnita para mim. Foi com esse receio e falta de entendimento que fui ao cinema acompanhar o último remake do ano. Star Trek.

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Devo logo adiantar que não sou lá muito fã de refilmagens e adaptações. Creio que agora, com esta moda de transpor histórias em quadrinhos para o cinema, vide Homem Aranha e Wolverine, além de algumas continuações desnecessárias como, sei lá, Rambo, há um grande retrocesso para a indústria. Enquanto os produtores andam ocupados engordando a conta bancária de Hugh Jackman ou Tobby Maguire, várias boas idéias originais deixam de ser feitas. O Poderoso Chefão desta década/geração ainda não surgiu. Enfim.

O longa, obviamente, conta a história do capitão James. T. Kirk e a tripulação de uma das naves mais famosas da história, a USS Enterprise, no começo de sua jornada, da vida normal civil até a conquista do espaço.

Sinopse muito vaga? Calma, garoto.

O maior problema em adaptar uma série com fãs tão fervorosos (leia fanáticos) tantos anos após seu termino e usando novos escritores e atores, seria, de fato, a decepção que os espectadores mais hardcore iriam sentir ao ver tal obra prima ser “maculada” por leigos. Completamente normal. Os fóruns internéticos sempre pipocam com acusações e ameaças de morte.

Felizmente para todos, J.J. Abrams, diretor do filme e mente criativa por trás de LOST, Alias, Fringe e Armaggedon, teve uma sacada de mestre. Uma verdadeira manobra salvadora: Ao invés de tentar mal explicar milhões de fatos em um filme de 2h de forma porca e suja (eu ouvi Wolverine?), ou simplesmente fazer algo a parte, levemente baseado no original, Abrams inspirou-se na Marvel e/ou DC criando um universo paralelo onde podia contar sua versão da história com toda a liberdade poética que lhe era oferecida.

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Sim, leitores, o filme se passa em uma realidade alternativa completamente diferente da trama antiga. Já revelando um pouco mais da história e acalmando ânimos mais exaltados, digo logo que todas as pontas ficaram absurdamente bem amarradas fazendo o elo com o passado/futuro parecer intuitivo a todos. A maestria da direção de Abrams também funciona neste sentido, a pluralidade de sua obra.

Tanto aqueles já mais familiarizados com o universo Trekker, quanto aqueles completamente alheios, como eu, que caíram de pára-quedas nas salas do cinema, terão uma ótima experiência. Para o primeiro grupo, inúmeras referências serão mostradas: os personagens têm personalidades semelhante às antigas, os sons do sonar no início do filme, os bordões clássicos e até os RedShirts dispensáveis, personagens que no original sempre aparecem para morrer, estão lá. Tudo isso, claro, sem parecer forçado. O segundo, por sua vez, também se sentirá em casa, tendo em vista que o mundo mostrado é muitíssimo bem explicado.

startrekredshirtEsse cara da esquerda é o Redshirt novo

Na parte técnica, o filme não faz feio. Muito pelo contrário. Os cenários, naves e explosões mostradas são realmente bem feitas, diferente, de novo, da última empreitada da Marvel Comics nas Telonas. Este último quesito, as explosões, foi extremamente bem explorado. Quando a tomada muda para o espaço mostrando danos e destruição na nave todo o som deixava de se propagar, fazendo com que a sala inteira prendesse respiração em resposta. Lindo.

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As atuações também estão em um nível alto para nomes pouco conhecidos. Chris Pine mostra a confiança e ímpeto do Kirk Original, mas ainda assim consegue impor sua marca, fugindo da sombra de William Shatner, tarefa nada fácil de ser feita. Zachary Quinto, por sua vez, está costumeiramente inexpressivo e com aquela característica cara de “vou te pegar” sempre vista em Heroes, onde o ator interpreta Sylar. Estas facetas, porém, caem como uma luva para o papel do quase sempre lógico volcano Spock.

Arrecadando cerca de 72 milhões na América do Norte em sua estréia, e carregando um legado gigantesco, Star Trek já nasceu grande. Abrams, o roteiro e os atores, porém, fizera por merecer. Ao contrário de outras origens e remakes lançados por aí, este é um ótimo filme feito para agradar a todos e, mostrando a que veio, ele realmente agrada. Espero ansiosamente pelas continuações. Recomendado com força.

Como disse no título: Live long and prosper.

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Umbrella Academy: Surpreendente

Maio 13, 2009

Há alguns dias atrás, conversava com uma amiga na faculdade sobre histórias em quadrinhos, já que ela também admira esse tipo de arte. A pauta da vez era Umbrella Academy, obra ganhadora do prêmio Eisner (o Oscar dos quadrinhos) de melhor série Limitada de 2008, e desenhada pelo excelente artista brasileiro Gabriel Bá, que atualmente trabalha Image Comics. Ambos eram ótimos motivos para cair de cabeça na história. A estranheza, porém, vinha quando citávamos o nome do autor, Gerard Way, o vocalista emo, afetado, e porque não talentoso, da banda My Chemical Romance (MCR).

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Se por acaso algum emissário do futuro batesse à minha porta com um pôster do MCR, apontasse para o front man e dissesse que eu iria ler e ainda por cima GOSTAR de uma HQ idealizada pelo cara eu o chamaria de louco enquanto o expulsaria com pontapés.

Mas, felizmente, a vida é uma caixinha de surpresas, já dizia Joseph Climber.

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Umbrella Academy, lançado em 2007 pela Dark Horse Comics, conta a história de sete crianças com poderes especiais nascidas no mesmo dia que são adotadas e treinadas de maneira bem severa (cada criança usa além de seu próprio nome um número de identificação) para salvar o mundo de uma possível catástrofe. Sim, eu sei que parece algo bem ao estilo dos X-men com a escola para humanos especiais, mas não é. Umbrella Academy é surpreendentemente bom.

A sua maior virtude, talvez seja seus personagens absurdamente bem construídos e marcantes. É tarefa das mais difíceis escolher um preferido quando as personalidades começam a ser reveladas. O número 1, por exemplo, é o perfeito herói/líder tomando decisões corretas que visam o bem maior. 2 é um rebelde atirador de facas captando perfeitamente a essência do anti-herói e sendo adorado pelo público (ouvi falar em Hiei de Yu Yu Hakusho ?) 4, por outro lado, é um maníaco depressivo, tímido, retraído e desgostoso com a vida. Sério, há tipos para todos os gostos.

A narrativa também segue de maneira agradável cheia de ganchos para continuações e referências famosas. É impossível não comparar os moradores da academia e suas peculiaridades com a Liga Extraordinária do gênio inglês Alan Moore, influência que Gerard confirma abertamente. Ainda existem vários fatos, mortes e falas não explicadas que espero sinceramente serem aproveitadas em uma futura continuação. Umbrella Academy merece.

O traço de Gabriel Bá é muito bonito. Apesar das cenas em perspectiva não serem das mais detalhadas, como em We3, a ação é mostrada de maneira bem fluída, o que, definitivamente, é essencial para a história. A feição dos personagens também chega a ser algo bem marcante, fazendo forte contraste com a questão psicológica.

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Longe da pretensão de ser uma obra genial ou divisora de águas, Umbrella Academy ainda se destaca no âmbito das histórias de super-heróis com seus personagens politicamente incorretos, incoerentes, e muito profundos. Os combates e a violência contidos em seus parcos 6 volumes aumentam ainda mais o gosto bom que a leitura da obra traz. É rápido, é arrebatador e com certeza vai surpreender. Recomendado.

Link Para Download: AQUI (Vertigem)

Para leitura é necessário o CDisplay.


De onde vem sua religião: Conforto

Maio 9, 2009

Diante do meu último post sobre religião, De onde em seu ateísmo, que recebeu até comentários produtivos, parto para outra idéia apaixonada que já habitava o limbo de meus pensamentos há algumas publicações atrás. Inicia-se aqui a série: De onde vem sua religião. Conjunto de textos nos quais pretendo comentar alguns dos principais argumentos usados pelas pessoas adeptas à algum tipo de fé.

Para esta primeira parte ataco logo um dos assuntos mais polêmicos: Conforto.

atheism-motivation Ateísmo: também não há um pote de ouro no final do arco-iris

Durante o almoço dominical da semana passada com minha família comentei um pouco sobre o hype midiático do momento. A Gripe Suína. As opiniões proferidas devem ser as já esperadas, não creio que a doença vai ser o fim do mundo e é tudo uma questão sensacionalista. Comparem só com as mortes causadas por, sei lá, malária e todos verão que o bacon ainda é seguro.

Foi neste momento que minha mãe, profundamente religiosa, para quem não sabe, soltou uma grande pérola de sabedoria.

“O espiritismo explica essas epidemias como algo que a humanidade tem que passar para expiar seus pecados e evoluir espiritualmente”

Se não foi isso, com certeza foi algo com o mesmo sentido.

As religiões em si, não somente a doutrina espírita como citado, tem essa incrível capacidade de saciar as preocupações da humanidade com falácias e palavras de conforto. Imaginem, por exemplo, um terrorista cometendo um atentado suicida sem ter a CERTEZA que encontrará 72 virgens lhe esperando no paraíso. Impossível, certo?

Não falo somente de algo tão trágico e sem sentido como assassinatos em massa. Ditados populares como: Deus fecha uma porta, mas abre uma janela e Deus escreve certo por linhas tortas, servem justamente para confortar as pessoas religiosas sobre os infortúnios da vida, fazê-las parar de pensar nos problemas e focar-se nas melhorias que porventura virão. É uma estratégia cotidiana válida, admito. Usá-la, porém, com base religiosa é demonstração de uma mente fraca e influenciável, completamente despreparada para lidar racionalmente com os problemas sem a ajuda de um suposto criador ou ser superior.

Como argumentei por twitter com um amigo ontem. A religião, por enquanto, é sim um mal necessário para frear os instintos humanos. Aquelas cenas de filmes pós-apocalípticos demonstram bem esta afirmação. Assim que as pessoas sabem que o mundo vai acabar e não há nenhuma divindade para frear a destruição esquecem completamente as regras sociais de convívio saqueando, roubando, estuprando e transformando seus últimos momentos em um completo pandemônio. Algo bem diferente aconteceria com os ateus ou pessoas em geral mais civilizadas, aposto. Comigo seria bem diferente.

Somente com um grande crescimento intelectual a raça humana deixaria de necessitar deste apoio místico para lidar com seus próprios problemas e encarar a realidade como ela realmente é. Um jardim não precisa ter fadas ou duendes para ser belo.