Star Trek: Live long and prosper.

Maio 16, 2009

Nunca fui um profundo conhecedor de ficção científica espacial. Star Wars, Star Trek, Perdidos no espaço e todos os rebentos interplanetários de décadas passadas sempre foram uma grande incógnita para mim. Foi com esse receio e falta de entendimento que fui ao cinema acompanhar o último remake do ano. Star Trek.

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Devo logo adiantar que não sou lá muito fã de refilmagens e adaptações. Creio que agora, com esta moda de transpor histórias em quadrinhos para o cinema, vide Homem Aranha e Wolverine, além de algumas continuações desnecessárias como, sei lá, Rambo, há um grande retrocesso para a indústria. Enquanto os produtores andam ocupados engordando a conta bancária de Hugh Jackman ou Tobby Maguire, várias boas idéias originais deixam de ser feitas. O Poderoso Chefão desta década/geração ainda não surgiu. Enfim.

O longa, obviamente, conta a história do capitão James. T. Kirk e a tripulação de uma das naves mais famosas da história, a USS Enterprise, no começo de sua jornada, da vida normal civil até a conquista do espaço.

Sinopse muito vaga? Calma, garoto.

O maior problema em adaptar uma série com fãs tão fervorosos (leia fanáticos) tantos anos após seu termino e usando novos escritores e atores, seria, de fato, a decepção que os espectadores mais hardcore iriam sentir ao ver tal obra prima ser “maculada” por leigos. Completamente normal. Os fóruns internéticos sempre pipocam com acusações e ameaças de morte.

Felizmente para todos, J.J. Abrams, diretor do filme e mente criativa por trás de LOST, Alias, Fringe e Armaggedon, teve uma sacada de mestre. Uma verdadeira manobra salvadora: Ao invés de tentar mal explicar milhões de fatos em um filme de 2h de forma porca e suja (eu ouvi Wolverine?), ou simplesmente fazer algo a parte, levemente baseado no original, Abrams inspirou-se na Marvel e/ou DC criando um universo paralelo onde podia contar sua versão da história com toda a liberdade poética que lhe era oferecida.

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Sim, leitores, o filme se passa em uma realidade alternativa completamente diferente da trama antiga. Já revelando um pouco mais da história e acalmando ânimos mais exaltados, digo logo que todas as pontas ficaram absurdamente bem amarradas fazendo o elo com o passado/futuro parecer intuitivo a todos. A maestria da direção de Abrams também funciona neste sentido, a pluralidade de sua obra.

Tanto aqueles já mais familiarizados com o universo Trekker, quanto aqueles completamente alheios, como eu, que caíram de pára-quedas nas salas do cinema, terão uma ótima experiência. Para o primeiro grupo, inúmeras referências serão mostradas: os personagens têm personalidades semelhante às antigas, os sons do sonar no início do filme, os bordões clássicos e até os RedShirts dispensáveis, personagens que no original sempre aparecem para morrer, estão lá. Tudo isso, claro, sem parecer forçado. O segundo, por sua vez, também se sentirá em casa, tendo em vista que o mundo mostrado é muitíssimo bem explicado.

startrekredshirtEsse cara da esquerda é o Redshirt novo

Na parte técnica, o filme não faz feio. Muito pelo contrário. Os cenários, naves e explosões mostradas são realmente bem feitas, diferente, de novo, da última empreitada da Marvel Comics nas Telonas. Este último quesito, as explosões, foi extremamente bem explorado. Quando a tomada muda para o espaço mostrando danos e destruição na nave todo o som deixava de se propagar, fazendo com que a sala inteira prendesse respiração em resposta. Lindo.

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As atuações também estão em um nível alto para nomes pouco conhecidos. Chris Pine mostra a confiança e ímpeto do Kirk Original, mas ainda assim consegue impor sua marca, fugindo da sombra de William Shatner, tarefa nada fácil de ser feita. Zachary Quinto, por sua vez, está costumeiramente inexpressivo e com aquela característica cara de “vou te pegar” sempre vista em Heroes, onde o ator interpreta Sylar. Estas facetas, porém, caem como uma luva para o papel do quase sempre lógico volcano Spock.

Arrecadando cerca de 72 milhões na América do Norte em sua estréia, e carregando um legado gigantesco, Star Trek já nasceu grande. Abrams, o roteiro e os atores, porém, fizera por merecer. Ao contrário de outras origens e remakes lançados por aí, este é um ótimo filme feito para agradar a todos e, mostrando a que veio, ele realmente agrada. Espero ansiosamente pelas continuações. Recomendado com força.

Como disse no título: Live long and prosper.

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Flight 666 – The Movie.

Abril 22, 2009

70 mil Quilômetros. 45 dias. 23 shows. Uma exibição. Eu estava lá.

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Havia algo diferente no ar. Era inegável que uma coisa grande estava para acontecer. O contingente de cabeludos e camisas preta no shopping havia triplicado naquela noite. Iron Maiden era a banda e as palavras da vez. Ontem, dia 21, o filme Flight 666, documentário sobre parte da última turnê da banda britânica, Somewhere Back in Time, teve sua estréia mundial. Somente uma sessão seria disponibilizada.

O longa foi filmado por Sam Dunn e Scot McFadyen, também idealizadores do filme: Metal – A headbanger’s history, que voaram a bordo do avião particular da banda, Ed Force One, por 5 continentes acompanhando vários shows históricos, como no Chile, país de onde a banda havia sido banida por apologia ao satanismo. Pura besteira.

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Difícil nessa hora falar de atuações, de fotografia ou qualquer outro aspecto técnico do filme. Não somente por se tratar de um documentário, mas por se tratar do Maiden. FUCKING Maiden.

A trilha sonora, porém, é das mais lindas. Como de se esperar, durante as quase duas horas de filme, somos bombardeados com o melhor do metal. Todos os hits clássicos estavam lá: Fear of the Dark, Two minutes two midnight, Run to the Hills, entre outras. Cada um tocado com perfeição e som surround 5.1.

Algo que também percebemos no decorrer da “trama” é a desmistificação dos membros da banda como seres imortais e inalcançáveis. Vemos Harris doente, Niko comendo pizza, Bruce fazendo brincadeiras. Algo realmente bem humano.

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Como muitas das pessoas presentes, principalmente em uma cidade pequena como a minha, jamais terá a oportunidade de ir a um show como aqueles mostrados no vídeo, Flight 666 era o mais próximo do real que a maioria iria ver. Isso acabou criando um clima de festa geral no cinema. Fotos, gritos, e chifrinhos eram feitos a todo o momento. Como se sabe, os rockeiros são o pior do rock. Nada, porém que prejudicasse o brilho de estar neste momento “histórico”.

Quem esperava se tratar de só mais um show, como aqueles vendidos par promover um novo CD, enganou-se. Também estava errado quem pensou se tratar de um filme monótono cheio de cenas não vistas e com toda cara de: “história por trás da história”. Flight 666 é mais que isso, é uma conquista. A maior turnê da história da banda, aquela que relembra seus clássicos não tocados dando oportunidade para aqueles não nascidos na década de 80 poder vê-los ao vivo. Um marco para o metal. Eu recomendo.


Resenha: Watchmen

Março 12, 2009

Assisti domingo passado ao que considero a melhor adaptação de uma história em quadrinhos de todos os tempos: Watchmen.

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Assim como na HQ de Alan Moore e David Gibbons, o filme conta a história dos Watchmen, os vigilantes. Um grupo de super heróis relativamente comuns, ou seja, sem super poderes que mantinha a ordem nas ruas e cumpriam missões governamentais em várias situações. A trama se passa em uma realidade alternativa do século passado, no começo dos anos 80. Vários personagens históricos e eventos marcantes são retratados neste universo paralelo, como Richard Nixon e a guerra do Vietnam.

Watchmen difere das outras histórias de super heróis por focar-se no drama ao invés da ação. Através da Lei Keene, todo e qualquer combatente mascarado é proibido de sair às ruas, o que acaba gerando sofrimento e raiva por parte dos protagonistas. O contexto se desenvolve a partir deste ponto. Heróis acabam ficando loucos, se aposentam, caem em esquecimento ou ainda vivem nas glórias de seu passado.

A pedra fundamental do filme é a Guerra Fria que coloca o mundo em constante estado de tensão com os Estados Unidos e a URSS cada vez mais armados.

Como já dito, Watchmen é uma das adaptações mais fiéis já feitas de uma revista em quadrinhos. Há certas cenas que são idênticas aos desenhos de Gibbons. Li em muitos blogs reclamações sobre o final que foi sutilmente alterado, mas todas as mudanças foram necessárias para atingir o grande público e tornar o filme mais acessível. A história não foi emburrecida. Nunca, mas há de ser lembrado que nem todos são nerds ou se adaptam tão facilmente à ficção científica. Concordo totalmente com a decisão de Gibbons e dos produtores.

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O filme possui uma fotografia genial. As cenas são tão belas que qualquer uma poderia ser congelada e emoldurada na parede. A trilha sonora não fica atrás. Janis Joplin, Hendrix e Leonard Cohen preenchem o fundo do filme com maestria. Até quando se pensa que as músicas não correspondem fielmente às cenas, pegamo-nos encantados pelo resultado.

A melhor parte desta obra, no entanto, é a construção dos personagens e a profundidades que eles conseguem adquirir mesmo sendo em grande número. Rorschach está brilhante. Com ou sem máscara o lobo solitário assume o papel de maior destaque com todas as honras. A mente doentia do herói foi interpretada perfeitamente por Jackie Earle Haley, tanto nos momentos de fúria onde o ator parecia uma pedra de gelo, como em único momento de fraqueza, onde mostrou toda a emoção que o momento carregava. O comediante, Edward Blake, em seus flash backs também transpõe para a tela todas as frustrações de um homem desiludido que viu e fez o mal. Ponto para atuação do ótimo Jeffrey Dean Morgan.

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Apesar de ser o fiel retrato de uma das 100 maiores obras literárias do século XX, Watchmen não agrada todos. Gosto de comparar este filme com outro trabalho do diretor Zack Snyder, 300. A saga de Leônidas tinha uma trama mais óbvia focada na ação e batalhas alucinantes dos espartanos. Watchmen, por sua vez, relata em primeiro plano o drama sofrido pelos heróis perseguidos e forçados a esquecer seu estilo de vida. É como pesar Cidade de Deus com Tropa de Elite. O primeiro mostra, além de tiroteios, o drama da favela e daqueles que lá vivem, enquanto o segundo faz uso de toneladas de violência para passar sua mensagem. Ambos os filmes são bons, mas as massas sempre preferem algo de fácil digestão.

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Watchmen merece ser visto com força. Já disse mil vezes: É lindo. Abra a cabeça, vá ao cinema com calma, já que o filme dura quase três horas, tente se focar na história e nos personagens. Não é Tropa de Elite. Não é 300. Não é um filme de ação. É Watchmen.


Resenha: O lutador

Março 2, 2009

Há algumas semanas atrás, no dia 11 de fevereiro, a edição de VEJA que trazia uma matéria de capa meio porca sobre Darwinismo, continha um artigo sobre a trajetória de vida do ator Mickey Rourke, desde sua ascensão promissora no início da década de 80, até o período em que atingiu o fundo do poço e precisou viver de favores. A autora, Isabella Boscov, também abordou, claro, o mais novo sucesso de bilheteria responsável pelo ressurgimento de Rourke e sua indicação ao Oscar de melhor ator em 2009: O lutador. Empolgadíssimo com as ótimas críticas com a possibilidade de ver a atuação de Mickey Rourke novamente em sua melhor forma não demorei a me dirigir para o cinema.

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O lutador conta a história de Randy “O carneiro” Robinson, um, obviamente, lutador profissional que após o auge da sua carreira cai em decadência indo morar em um trailer, lutando por mixarias em um cenário completamente underground, trabalhando como atendente em um super mercado, sendo reconhecido e forçado a encarar sua miséria e vendo sua vida pessoal e emocional desabar por completo diante de seus olhos e acaba sendo impedido de conter tal queda por seu comportamento destrutivo, gênio forte e grande inabilidade em manter sua vida fora dos ringues.

A filmagem parece ser feita sem trilhos. A câmera, apesar de tremida, não chega a incomodar e dá um incrível ar de realidade à película. Algumas tomadas mostram Rourke de perfil em cenas típicas do seu cotidiano devastado. Compras de anabolizantes e grande apego ao seu passado de glórias são alguns bons exemplos.

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Toda a trilha sonora é um espetáculo a parte. Rock dos anos 80 como AC/DC e Guns and Roses tomam conta do ambiente e caem como uma luva no longa. A personalidade do “carneiro” também é uma vívida experiência rock n roll. Live fast die Young.

A atuação de Mickey Rourke é sublime. Os infinitos trejeitos adquiridos, como passar a mão no cabelo ou a batida de cotovelos, saem naturalmente e parecem realmente fazer parte do ator. Tal primor deve-se principalmente a semelhança da vida do próprio Rourke com “O carneiro”, personagem que interpreta. Viajar por este fim de vida dos dois personagens mostrados, o ator e o lutador, vendo quando Rourke enfrenta seu passado e nos dá uma perfeita visão dos sentimentos conturbados do homem que perdeu tudo. O lutador pode não ser o melhor filme da história, mas sem dúvida possui uma das melhores interpretrações já vistas por mim.

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Achar palavras para concluir esta resenha não é tarefa das mais fáceis. É extremamente complicado descrever em frases toda a emoção da performance de Rourke neste filme. Um homem que perdeu tudo interpretando outro. O lutador merece ser visto e revisto quantas vezes for possível.


Sim Senhor – Resenha

Fevereiro 18, 2009

Acho que além de Jean Claude Van Damme com os filmes de ação, nenhum ator marcou mais a infância das crianças na saudosa década de 90 como Jim Carrey. Filmes como Ace ventura 1 e 2, O mentiroso e até mesmo aquele longa horrível do Batmam no qual ele interpretava o Charada ainda são lembrados com alegrias por nós, agora marmanjos nerds.

Como bom fã e com tais pensamentos em mente dirigi-me sem um pingo de medo ao único cinema desta capital nojenta para assistir a última empreitada de Carrey: Sim Senhor.

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Sim senhor conta a história de Carl, um funcionário de banco infeliz, divorciado, solitário e avesso a contatos sociais que passa todo seu tempo livre assistindo DVD’S e lamentando-se sobre tudo. Certo dia, convencido por um amigo de atitudes inusitadas, vai à uma palestra motivacional que o incentiva a fazer um pacto e dizer sim para todas as oportunidades que surgem à sua vista. O problema e as confusões surgem quando o personagem de Carrey leva essa filosofia ao pé da letra.

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Toda a trama é contada com uma fluidez sucinta e suave. Não tem ganchos, falhas perceptivas ou torna-se maçante em momento algum. Jim Carrey é perfeito para o papel. Seu jeito atrapalhado e extrovertido, aquele que na maioria das vezes parece não saber o que está fazendo ao se meter nas mais diversas situações, é toda a essência de Carl. Sua parceira de cena, Zooey Deschanel (podem clicar no link, ao contrário do que certas pessoas dizem, ela NÃO É a Katy Perry), como Allison, continua inexpressiva, mas seu jeito meigo e olhos claros a tornam uma figura meiga e essencial na tela. A cena do celeiro serve para demonstrar exatamente o que falo.

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Ao contrário da maioria das comédias que você se desliga do mundo e apenas curte um momento agradável, Sim senhor é diferente, tem conteúdo. Não foram raras as vezes que me peguei sentado no escuro do cinema pensando sobre minha vida pessoal ou todas as oportunidades que desperdicei por ser esse ser humano fechado e intransigente. Deveras interessante.

Após toda essa viagem introspectiva, Sim senhor realmente convence. É o tipo de filme que você vê uma, duas, três vezes e não se torna cansativo, ascendendo, desta forma, como “O mentiroso” da nova geração, onde além de caras, bocas e muita comédia, enraíza pensamentos sobre o modo de viver nossas vidas.

Recomendado.


Resenha: RocknRolla: A grande Roubada

Janeiro 21, 2009

Lembro bem do meu primeiro contato com os filme de Guy Ritchie, tinha 16 anos e era uma tarde comum na escola, chato como qualquer outro, quando um dos meus colegas de classe começa a imitar movimentos de boxe e contar para um terceiro sobre o filme que ele havia visto na noite passada. As palavras “Tijolo” e “Brad Pitt” foram ouvidas sem muito entusiasmo naquele dia. O DVD do filme rodou de mão durante toda a semana até chegar a mim. Juro que não sabia o que esperar ao colocar Snatch: Porcos e diamantes no aparelho. Só maravilhas desde então.

Para quem não sabe durante uma fase sombria que durou todo seu casamento com Madonna, Guy Ritchie dirigiu alguns filmes sem expressão que não merecem nem mesmo ser citados aqui, e RocknRolla: A grande Roubada, é o primeiro longa do diretor que retoma suas velhas origens: O submundo do crime na Inglaterra.

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“As pessoas perguntam: O que é um RocknRolla? Eu digo a elas que não tem nada a ver com baterias, drogas e picadas. Oh, não. É muito mais que isso, meu amigo. Todos gostam de um pouco de boa vida. Alguns, o dinheiro. Alguns, as drogas. Outros o jogo do sexo, o glamour, a fama. Mas um RocknRolla, oh, ele é diferente. Por quê? Por que um RocknRolla quer a porra toda!!!”

O filme conta a história de OneTwo (Gerard Butler) e o Bando Selvagem, grupo formado por alguns bandidos meio inexperientes que acabam tirando a sorte grande em um “trabalho” armado pela contadora do bilionário russo Uri Omovich (Karel Roden), a financeiramente criativa Stella (Thandie Newton). Após o roubo, uma série de contratempos e mal entendidos, colocam chefões do crime londrino, a máfia russa, astros do rock e drogados furiosos no caminho do bando em uma trama tão complexa (típico de Ritchie) que só é entendida e desvendada nos minutos finais da narrativa.

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Na parte técnica, RocknRolla não faz feio. A fotografia é GENIAL. As cenas acinzentadas, como a da perseguição no túnel, são lindas e contribuem ainda mais para o clima “underground” da história. As Atuações deixam muito pouco a desejar, talvez não tenha me identificado muito bem com Thom Wilkinson, como Leny Cole, já que ele merecia uma postura mais ameaçadora, e não tão fraca como mostrado. Butler, por sua vez, rouba a cena sempre que aparece. Seja debochando dos russos ou com seu amigo homossexual. Imperdível.

Quem conhece Snatch e Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, vai se identificar MUITO com o estilo de filmagem, e até com a abertura do filme, com as imagens “desenhadas” apresentando os atores ou facetas da trama.

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E é exatamente por isso o filme deixa de ser tão grande como deveria. Comparações são inevitáveis, e em comparação RocknRolla perde para seus irmãos mais velhos. Podemos ver vários elementos sendo repaginados dos filmes antigos, como o sumiço da pintura, e um grupo de amigos tentando aparecer no mundo do crime. É insuficiente para fazer de RocknRolla um filme ruim, mas, de qualquer forma, esperava mais originalidade de um verdadeiro filme de Guy Ritchie.

Ainda preciso manter-me imparcial sobre RocknRolla, já que não se trata de um filme isolado, como as antigas obras de Ritchie, e sim da primeira parte de uma trilogia que até o momento está prometendo muito. Mas por enquanto, mesmo com esse futuro incerto, RocknRolla já merece ser visto e apreciado como um filme BEM acima da média.

Gênero: Ação

Tempo: 114 min.

Lançamento: 31 de Out, 2008

Classificação: 16 anos

Distribuidora: Warner Bros.


Eu sou a Lenda: Livro X Filme.

Janeiro 17, 2009

Não havia chegado a comentar, mas Eu sou a Lenda é, para mim, não só um dos melhores filmes de 2007, mas um dos melhores de todos os tempos. Todos os leitores assíduos (isso mesmo, vocês três) já perceberam o quanto gosto de vampiros/lobisomens/zumbis/futuros pós-apocalípticos, e uma história que retrate dois desses aspectos combinados como um lanche do Mc Donnalds merece atenção redobrada.

Depois de ver o longa umas três vezes se não me engano, a Novo Século lançou aquela ediçãozinha bonita do livro de Richard Matheson que eu insistia em namorar em toda vitrine de livraria até que finalmente nesse fim de ano o ganhei de natal de minha querida progenitora. Imediatamente seria distante demais do momento em que comecei a folhear o volume e devorar a história.

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Acho que foi o primeiro caso em que vi uma adaptação MELHOR que a obra original. Sério, todos da série Harry Potter, O Enigma de Andrômeda (que vi ontem, por acaso), Timeline, ambos e Michael Crichton, são ótimos exemplos, mas Eu sou a Lenda filme é tão foda, tão foda que o livro fica para trás. É ruim? Nunca na vida. Melhor? Também não.

Aviso de Spoiler. Se você não tem nenhum interesse em ler o livro é só clicar abaixo e continuar lendo, caso contrário pare por aqui.

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Resenha: Crepúsculo

Dezembro 22, 2008

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Assisti ontem ao filme mais emo da temporada, o tão esperado, o tão aclamado Crepúsculo.

Amor? Ódio? Leia a seguir.

Crepúsculo, filme baseado no livro homônimo de Stephenie Meyer, conta a história de Isabella Swan, uma menina tímida e com alguns problemas para se socializar que muda para uma cidade do interior devido a incompatibilidades com o novo casamento de sua mãe. Na cidade de Forks, Bella reencontra seu pai, amigos de infância e conhece Edward, um “jovem” vampiro pelo qual se apaixona. Em um novo mundo cheio de acontecimentos inusitados, pessoas estranhas e sentimentos inesperados, a garota se vê no meio de uma disputa entre seres do submundo.

Ao começar pelas atuações: NINGUÉM CONVENCE. Sério, todos os atores são péssimos. Kristen Stewart e Robert Pattinson, que interpretam o casalzinho do longa, são horríveis. Todos os closes, cenas dramáticas e conversas românticas apenas criaram náuseas em meu estômago. A escolha de Pattinson para o papel principal obviamente foi apenas pela beleza do rapaz, já que até um manequim de vitrine teria um desempenho superior ao mostrado no filme. Alguém aqui reparou nas orelhas ANORMALMENTE pequenas dele? Só eu?

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Efeitos especiais: HORRÍVEIS. A movimentação dos vampiros ficou MUITO forçada. As escaladas, a velocidade, os pulos, TUDO, tudo é forçado e artificial. Creio que com a tecnologia de hoje e com a certeza que o filme seria o sucesso adolescente do ano poderiam se dar ao luxo de gastar um pouco mais com a preparação dos dublês e computação gráfica.

A trama: Não li e não pretendo ler o livro. Percebi, porém, que como já de praxe em adaptações, a história pareceu meio “esmagada”. Certos assuntos foram atropelados ou mal contados e meum ver. Talvez tenha sido impressão, mas…

Apesar dos três parágrafos anteriores terem destroçado o filme, não se engane, Crepúsculo não é TÃO ruim. É interessante ver uma família de vampiros tentando se passar por pessoas normais. O único problema é o clima de romance que quiseram forçar a todo o custo na história. O fato de Edward “brilhar” quando exposto ao sol é ridículo, onde já se viu um vampiro brilhar?

Crepúsculo é uma ótima idéia mal aproveitada. Se a obra original tivesse sido escrita por André Vianco e o filme fosse baseado na ação ou suspense que PODERIAM estar presentes seria infinitamente melhor.

Assistira de novo? Nunca. Arrependido? Talvez. Assistirei a continuação? Provavelmente.

(Twilight, 2008)

Direção: Catherine Hardwicke

Duração: 122 minutos.


Resident Evil Degeneration: Back to the Zombies.

Dezembro 16, 2008

Como já explicitei por aqui sou fã fervoroso de zumbis e, obviamente, uma das minhas séries preferidas de videogame de todos os tempos foi Resident Evil, em especial o volume 4 que joguei no PS2 há algum tempo.

Infelizmente todos os filmes da trilogia com Mila Jovovich e companhia eram capazes de broxar, não só os verdadeiros fãs do game, mas qualquer cidadão randômico que estivesse assistindo o longa. Sonhava com o dia que pudesse ver o T-Virus sendo representado fielmente no cinema. Este desejo, porém, parecia cada vez mais distante quando lembrava que os efeitos especiais, máscaras de látex e atuações pífias só iam produzir mais um filme medíocre que me deixaria com 37 pés atrás antes de entrar na sala de exibição. Quando soube que estavam produzindo um filme de Resident Evil completamente ANIMADO e com CGS ao nível das exibidas no Resident 4 eu quase entro em choque. Bom demais para ser verdade.

Resident Evil: Degeneration toma lugar logo após a destruição de Racoon City na vã tentativa de eliminar a infecção, já que algumas amostras do vírus ainda estão sendo vendidas no mercado negro para organizações terroristas ou ditadores enlouquecidos. Há ainda um embate entre uma empresa farmacêutica e uma ONG, a Terra Save, que tenta atribuir o vírus e os males acontecidos à WilPharma. Em meio a um mar de desconfiança e zumbis, cabe a Leon S. Kennedy e Claire Redfield, astros de Resident Evil 2, amarrar algumas pontas soltas e descobrir toda a verdade por trás da infecção que agora ameaça o mundo inteiro.

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As animações, como já dito anteriormente, são lindas e chegam ao nível das CGS de consoles de última geração. Todos os personagens são bem expressivos, sendo possível até mesmo se emocionar com a atuação de alguns deles, como a novata Angela, que faz parte de uma polícia de elite. Porém, nem tudo são flores. A movimentação e o design corporal dos “atores”, principalmente dos coadjuvantes, não têm toda a fluidez esperada, em algumas das cenas parece ser meio mecânica ou artificial. Nada, no entanto, que prejudique o brilho desta obra.

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As texturas são uma obra de arte a parte, em algumas das cenas de close é possível ver os POROS dos personagens. Lindo mesmo.

O enredo também merece uma estrela de ouro. Além do drama, as cenas de ação são algumas das mais bem feitas que já vistas. Leon luta de uma forma que JAMAIS conseguiria ser reproduzida em Live Action.

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Resident Evil: Degeneration é soberbo. Aqueles que não são familiarizados com a história da franquia de games vão se achar um pouco perdidos, mas a qualidade gráfica excelente durante as 1h36min surpreende tanto que agrada a qualquer um. O filme é lindo em trinta sentidos diferentes, nos chutes, nas cenas em slow motion, em um fogo digital extremamente bem feito, e merece ser visto quantas vezes for possível.

Eu já vi três.


Resenha: [REC]

Novembro 24, 2008

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Não sei se já comentei aqui, mas eu adoro zumbis. Não só zumbis, mas tenho grande apreço por qualquer história que mostre uma realidade alternativa onde os seres humanos tenham que correr por sobrevivência relembrando seus instintos mais primitivos ou que exponha como seriam mundos pós-apocalípticos. Filmes como: Eu sou a Lenda, Extermínio 1 e 2 e Aurora dos Mortos demonstram bem sobre o que eu falo.

Quando soube que um longa saído do promissor cenário do cinema espanhol tratava sobre zumbis eu tive que ir ver. O resultado em uma palavra? Surpreendente.

[REC] conta a história de Angela Vidal, e Pablo, repórteres de um programa noturno que, ao fazer uma reportagem sobre a rotina de um esquadrão de bombeiros, deparam-se com a chamada de um grupo de moradores que ligou para a estação reclamando de uma senhora de idade que gritava como louca em um dos andares de um prédio de apartamentos. Poucos instantes após chegarem ao local, o edifício é lacrado por uma espécie de controle de saúde governamental e todos os personagens se vêem presos em um prédio sem conhecimento nenhum do que se passa ao seu redor.

Nossa, o filme se passa todo em um único lugar?

Sim, pode até soar monótono, mas não é, muito pelo contrário, é completamente frenético. Não há onde se esconder, não há eletricidade, não há o que fazer.

O terror está presente em todos os cantos. Os moradores, os bombeiros e a equipe de TV não sabem o que acontece até os últimos momentos. Uma sensação de aflição cresce exponencialmente na platéia. O último filme que me lembro de ter causado tanto pânico no público ao ponto de gerar gritinhos amedrontados foi O Chamado, quando o cinema japonês ainda era moda.

Nas partes técnicas [Rec] também não faz feio, os personagens são muito bem construídos, nada daqueles estereótipos tradicionais como o negro machão ou a gostosa randômica. São pessoas normais com uma aparência normal. O filme é todo visto com a câmera de Pablo, o cinegrafista, dando aquele ar caseiro e real já visto em A bruxa de Blair e Cloverfield. Li em algum lugar que certas pessoas se incomodam muito com esse estilo de filmagem, mas eu estava tão imerso na história que juro não ter notado grandes problemas.

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Mas e sobre os Zumbis? Nada de extraordinário, o que até achei interessante. Explico: Geralmente os mortos-vivos são quase super poderosos, levam tiros e continuam correndo ,arrebentam portas de madeira pesada com punhos e dentadas e outras proezas mais, mas desta vez não. São rápidos, loucos, histéricos e violentos, mas continuam com a mesma constituição física que tinham antes de serem contaminados. Uma velha zumbi continuará sendo uma velha. Uma velha sedenta por carne e destruição, mas ainda assim uma velha. Não é algo que decepcione, aumenta ainda mais o ar de realidade da película.

A direção de James Balagueró é excelente, pega cada momento que parece simples e inofensivo e os transforma em uma injeção de adrenalina, algo frenético e louco. Até mesmo quando você espera o susto ele consegue fazê-lo dar pequenos pulinhos na cadeira. O desenrolar das cenas também flui muito bem, não se torna pesado ou entediante, acontecendo em um ritmo cadenciado de descobertas por partes dos personagens.

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Como já era de se esperar, Holywood já entrou no embalo e preparou seu remake desta belíssima produção européia, Quarantine deve estrear, provavelmente, em fevereiro do próximo ano, mas, com certeza, não espere o mesmo brilho contido na obra de Balagueró.

[REC] é único. Em um mar de marasmo estes gênios conseguiram fazer uma obra de arte a partir de fuligem e cascalho, não é o tipo de filme que você consegue prever o próximo acontecimento ou senta na cadeira e desliga a mente. É um filme de terror completamente diferente de tudo que costumamos ver. Repetindo minhas palavras iniciais: Surpreendente.

Quero ver de novo.