Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.
Acho que nada seria tão difícil para mim quanto escrever sobre o Metallica de forma imparcial, sem deixar toda minha admiração influenciar no texto. Admito, sou fanboy.
Essa, que, seguramente, é uma das maiores bandas de todos os tempos, para mim é a MAIOR banda de todas. Seria impossível expressar o quanto as músicas de Hetfield foram importantes na formação, não só do meu gosto musical, mas do meu caráter em si. Agora, com o lançamento do novo CD, não posso mais adiar a difícil tarefa que vem pela frente. Que venha o Death Magnetic.
Primeiras impressões:
Foram ótimas. Evitei escutar as faixas que foram liberadas no site do grupo com medo do que estava por vir. O som está mais pesado que o St. Anger. Está com mais cara de Metallica. A bateria, que também me incomodou muito no álbum passado, não parece mais aquele apanhado de latas Suvinil. Lars, desta vez, acertou na escolha.
Após um considerável tempo ouvindo o disco, pude perceber com mais clareza que o que eu ouvia não era a reinvenção do Metallica ou a volta dos tempos áureos. Era um álbum bom. Nada que se comparasse com o And Justice for All, mas ainda assim melhor que Reload e família.
As melhores Faixas:
5- All Nightmare Long: A batida pesada, os riffs fortes e o refrão poderoso dão um clima ótimo a esta canção. Se não fosse a diferente atitude do vocal para com todas as músicas atuais, veríamos um novo clássico. Aquela música para cantar até mesmo inconscientemente.
6 – Cyanide: Não sei por que me lembro de Battery quando ouço essa faixa. Não tem nada a ver. Tentar comparar com músicas antigas é realmente impossível. Apesar dos pesares, Cyanide apresenta ótimas melodias, e uma letra bem intensa, como é de praxe do Metallica. O solo já clássico de Kirk Hammett vem no final da trilha para completar a obra de arte.
7 – The unforguiven 3: De cara minha música preferida. Apesar de não apresentar o mesmo sofrimento das suas irmãs mais velhas, the unforguiven 3 ainda cria um clima de tirar o fôlego com o começo em violoncelo e piano. O refrão é super profundo. Virou ate “frase de MSN”. Atrai mais pela letra do que pelo ritmo.
10 – My apocalipse: A “porrada” do álbum. Assim como Dyers Eve e Disposable Heroes, essa faixa inflama qualquer “roda punk”, tira qualquer fã do chão e dá torcicolo em qualquer pescoço. O tema “destrutivo” da música com a batida frenética na bateria faz desse um dos melhores trabalhos do Metallica em MUITO tempo.
Considerações finais:
O grupo de James Hetfield e companhia desvirtuou-se de seu caminho há muitos anos atrás com o Load, Reload e as camisas de seda. Aqueles cinco garotos comuns vestindo jeans e camisetas haviam se transformado em coroas ricos que só visavam lucro, pessoas que perderam aquele senso de destruição juvenil de outrora. E com o Death Magnetic, eles tentam voltar às raízes.
Tentam.
É impossível resgatar aquele fogo que ardia em seu peito cerca de 20 anos atrás. As coisas mudam, as pessoas mudam. A vida não parece sumir por entre seus dedos, as trevas não querem mais engolir o seu mundo e não há um mestre de marionetes puxando seus cordões. Há, no entanto, uma família, filhos, contas e responsabilidades. Você cresceu, ELES cresceram. É impossível escrever sobre algo que não faz mais parte da realidade que a banda vive.
Foi isso que aconteceu com o Metallica. A diferença deste para os outros álbuns é a proximidade que os caras chegaram daquela essência devastadora que os levou ao sucesso. Não é o melhor da banda, não é a volta do Metallica, ele nunca se foi para os que realmente acreditavam, é somente uma ótima tentativa de agradar os fãs mais crentes da banda.
Desta vez me convenceu. Obrigado, Metallica.
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada 

