Diante do meu último post sobre religião, De onde em seu ateísmo, que recebeu até comentários produtivos, parto para outra idéia apaixonada que já habitava o limbo de meus pensamentos há algumas publicações atrás. Inicia-se aqui a série: De onde vem sua religião. Conjunto de textos nos quais pretendo comentar alguns dos principais argumentos usados pelas pessoas adeptas à algum tipo de fé.
Para esta primeira parte ataco logo um dos assuntos mais polêmicos: Conforto.
Ateísmo: também não há um pote de ouro no final do arco-iris
Durante o almoço dominical da semana passada com minha família comentei um pouco sobre o hype midiático do momento. A Gripe Suína. As opiniões proferidas devem ser as já esperadas, não creio que a doença vai ser o fim do mundo e é tudo uma questão sensacionalista. Comparem só com as mortes causadas por, sei lá, malária e todos verão que o bacon ainda é seguro.
Foi neste momento que minha mãe, profundamente religiosa, para quem não sabe, soltou uma grande pérola de sabedoria.
“O espiritismo explica essas epidemias como algo que a humanidade tem que passar para expiar seus pecados e evoluir espiritualmente”
Se não foi isso, com certeza foi algo com o mesmo sentido.
As religiões em si, não somente a doutrina espírita como citado, tem essa incrível capacidade de saciar as preocupações da humanidade com falácias e palavras de conforto. Imaginem, por exemplo, um terrorista cometendo um atentado suicida sem ter a CERTEZA que encontrará 72 virgens lhe esperando no paraíso. Impossível, certo?
Não falo somente de algo tão trágico e sem sentido como assassinatos em massa. Ditados populares como: Deus fecha uma porta, mas abre uma janela e Deus escreve certo por linhas tortas, servem justamente para confortar as pessoas religiosas sobre os infortúnios da vida, fazê-las parar de pensar nos problemas e focar-se nas melhorias que porventura virão. É uma estratégia cotidiana válida, admito. Usá-la, porém, com base religiosa é demonstração de uma mente fraca e influenciável, completamente despreparada para lidar racionalmente com os problemas sem a ajuda de um suposto criador ou ser superior.
Como argumentei por twitter com um amigo ontem. A religião, por enquanto, é sim um mal necessário para frear os instintos humanos. Aquelas cenas de filmes pós-apocalípticos demonstram bem esta afirmação. Assim que as pessoas sabem que o mundo vai acabar e não há nenhuma divindade para frear a destruição esquecem completamente as regras sociais de convívio saqueando, roubando, estuprando e transformando seus últimos momentos em um completo pandemônio. Algo bem diferente aconteceria com os ateus ou pessoas em geral mais civilizadas, aposto. Comigo seria bem diferente.
Somente com um grande crescimento intelectual a raça humana deixaria de necessitar deste apoio místico para lidar com seus próprios problemas e encarar a realidade como ela realmente é. Um jardim não precisa ter fadas ou duendes para ser belo.
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada
Escrito por Fernando Portelada 
