De onde vem sua religião: Conforto

Maio 9, 2009

Diante do meu último post sobre religião, De onde em seu ateísmo, que recebeu até comentários produtivos, parto para outra idéia apaixonada que já habitava o limbo de meus pensamentos há algumas publicações atrás. Inicia-se aqui a série: De onde vem sua religião. Conjunto de textos nos quais pretendo comentar alguns dos principais argumentos usados pelas pessoas adeptas à algum tipo de fé.

Para esta primeira parte ataco logo um dos assuntos mais polêmicos: Conforto.

atheism-motivation Ateísmo: também não há um pote de ouro no final do arco-iris

Durante o almoço dominical da semana passada com minha família comentei um pouco sobre o hype midiático do momento. A Gripe Suína. As opiniões proferidas devem ser as já esperadas, não creio que a doença vai ser o fim do mundo e é tudo uma questão sensacionalista. Comparem só com as mortes causadas por, sei lá, malária e todos verão que o bacon ainda é seguro.

Foi neste momento que minha mãe, profundamente religiosa, para quem não sabe, soltou uma grande pérola de sabedoria.

“O espiritismo explica essas epidemias como algo que a humanidade tem que passar para expiar seus pecados e evoluir espiritualmente”

Se não foi isso, com certeza foi algo com o mesmo sentido.

As religiões em si, não somente a doutrina espírita como citado, tem essa incrível capacidade de saciar as preocupações da humanidade com falácias e palavras de conforto. Imaginem, por exemplo, um terrorista cometendo um atentado suicida sem ter a CERTEZA que encontrará 72 virgens lhe esperando no paraíso. Impossível, certo?

Não falo somente de algo tão trágico e sem sentido como assassinatos em massa. Ditados populares como: Deus fecha uma porta, mas abre uma janela e Deus escreve certo por linhas tortas, servem justamente para confortar as pessoas religiosas sobre os infortúnios da vida, fazê-las parar de pensar nos problemas e focar-se nas melhorias que porventura virão. É uma estratégia cotidiana válida, admito. Usá-la, porém, com base religiosa é demonstração de uma mente fraca e influenciável, completamente despreparada para lidar racionalmente com os problemas sem a ajuda de um suposto criador ou ser superior.

Como argumentei por twitter com um amigo ontem. A religião, por enquanto, é sim um mal necessário para frear os instintos humanos. Aquelas cenas de filmes pós-apocalípticos demonstram bem esta afirmação. Assim que as pessoas sabem que o mundo vai acabar e não há nenhuma divindade para frear a destruição esquecem completamente as regras sociais de convívio saqueando, roubando, estuprando e transformando seus últimos momentos em um completo pandemônio. Algo bem diferente aconteceria com os ateus ou pessoas em geral mais civilizadas, aposto. Comigo seria bem diferente.

Somente com um grande crescimento intelectual a raça humana deixaria de necessitar deste apoio místico para lidar com seus próprios problemas e encarar a realidade como ela realmente é. Um jardim não precisa ter fadas ou duendes para ser belo.


De onde vem o seu ateísmo?

Abril 7, 2009

Atheism_by_Joo_JooEyeball

Óbvio dizer que esse texto tem um público alvo bem restrito.

Meados de 1998. Eu, na época com 11 anos, adorava as aulas de história da professora Justina no Reino Infantil. Uma senhora com quase 70 anos que mais parecia um cone de trânsito tamanha era sua presença em sala de aula. Não importava, adorava a matéria, tanto que até pensei em cursar História no ensino superior. Enfim.

Estudando civilizações antigas, astecas, incas e derivados, a parte que mais chamava atenção era a dos sacrifícios humanos. Pensava muito sobre o porquê de eles estarem errados sobre suas crenças e nós certos. Um dia caiu a ficha. Nós não estamos.

Pense: Os já mencionados ameríndios antigos, povos nórdicos, cientologistas, muçulmanos, adoradores do macarrão voador e tantos outros estão realmente errados? Pessoas se matavam por suas crenças. Eles estavam errados?

Não. A infantilidade é a mesma.

Acreditar em seres místicos invisíveis, alienígenas, zumbis (seres que ressuscitam após a morte, como aquele chegado, o JC.), e dogmas sem sentido que se contradizem o tempo inteiro é comum em todas as religiões.

É entendível que nos primórdios da humanidade o número de questões não respondidas sobre o universo e a existência eram trocentas milhões de vezes maior do que hoje e qualquer tentativa de explicação era válida. Mesmo quando envolvia mágica e imaginação.

Atualmente as dúvidas continuam numerosas. Sabemos, porém, que a Terra não é o centro do Universo, que dinossauros e homens não coexistiram (por mais que ainda haja pessoas que neguem tal FATO) e que a vida se originou do Big Bang por meio de uma série quase inacreditável de combinação de fatores.

O ser humano é um ser emotivo, claro, mas deixar a emoção dominar vidas a ponto de criar privações e regras sem sentido é doentio. As pessoas tornam-se prisioneiras de suas próprias fantasias, parafraseando uma música do Blind Guardian.

Pois bem, caro leitor, da onde veio o seu ateísmo? Em que momento a grande dúvida se levantou?

Post sem revisão for the win.


Três anos das manifestaçõe Muçulmanas

Fevereiro 2, 2009

Para quem não se lembra, há exatamente 3 anos, no dia 2 de fevereiro de 2006, iniciavam-se os distúrbios em retaliação à publicação de caricaturas do “profeta” Maomé em jornais europeus. O caso que fez a tênue linha entre a tragédia e a comédia se tornar invisível sensibilizou o mundo inteiro e dividiu a população em dois grandes grupos de opinião, aqueles que prezam pela liberdade de imprensa e expressão, e aqueles que defendem crenças religiosas por mais incoerentes que estas sejam.

O que muita gente não sabe, é que toda inquietação foi provocada por um pequeno grupo de muçulmanos que haviam recebido guarida na Dinamarca. O tal grupo espalhou dossiês contando informações falsas sobre maus tratos sofridos pelos imigrantes e, além das caricaturas do jornal europeu, algumas outras de origem duvidosa e obviamente ofensivas.

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Cinco meses após a publicação das caricaturas, em fevereiro, o tumulto finalmente explodiu no mundo muçulmano. Bandeiras foram queimadas, retratações governamentais foram exigidas, apesar do Estado não ter feito nada de errado, produtos dinamarqueses foram boicotados em lojas e supermercados, cidadãos ocidentais foram fisicamente ameaçados no oriente médio e igrejas católicas, que não tiveram absolutamente nada a ver com o incidente foram depredadas. Pelo menos 50 inocentes morreram nas manifestações e tudo isso por ideais que contradizem a LIBERDADE, algo que alguns religiosos parecem ter dificuldades de entender.

Isso tudo nos leva a pensar principalmente sobre o respeito que os dogmas religiosos sofrem até mesmo dos não crentes. Um respeito não merecido.

A religião possui em seu cerne diversas idéias sobre as quais não há argumentação ou discussão. São idéias santas, sagradas ou algo dessa forma, que impede todos os seres pensantes de se voltarem contra elas. Se alguém discorda do seu partido político ou time de futebol, você tem todo o direito de tentar argüir sobre seu raciocínio ou lógica, mas se há na religião algum dogma como a não publicação de imagens do profetão lá, ninguém pode duvidar, confrontar ou não obedecer. Você apenas diz: “Eu respeito isso.”

É dessa forma que a religião tenta se infiltrar na vida de todos, incluindo aqueles não praticantes, como eu. É comum ver alguém comentando ou falando na cara de um ateu que ele vai “perceber seu erro” cedo ou tarde. Ridículo.

Os protestos ocorridos há três anos servem exatamente para nos lembrar o quão perniciosa pode ser a idéia de unicidade e a certeza religiosa sobre o universo e os rumos da humanidade. A liberdade expressiva e religiosa é uma realidade do mundo moderno, triste daqueles que não conseguem ver esse fato. Apesar de sonhar com um mundo onde a religião seja somente um entretenimento literário não ando pelas ruas tentando descatequizar as pessoas que rondam meu caminho ou atiro aviões em símbolos de sua fé, o máximo são algumas conversas ou posts que em tese criam alguma reflexão, porém tenho sempre em mente a frase “viva e deixe viver”, ou seja, a vida é sua e você faz dela o que bem entender. Algo que os religiosos também deveriam aprender a aceitar ao invés de se irritar tanto com alguém do outro lado do mundo que desenha um homem que morreu há milhares de anos.

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Crença cega e Inri Cristo.

Novembro 28, 2008

De acordo com o Michaelis Online, Acreditar é: “dar crédito a, ter como verdadeiro”

Escutem bem as palavras “ter como verdadeiro” reverberando no ambiente.

Pelo que vejo, uma pessoa que acredita em algo ou alguém, não precisa de provas para demonstrar sua devoção. Você pode acreditar que 2 + 2 = 5 e, por mais que a matemática, a lógica e o bom senso provem o contrário, nada mudará sua convicção.

Em seu livro Deus, Um delírio, Dawkins, ao falar sobre crenças, comenta sobre a crença do próprio Jesus cristo. Três hipóteses são analisadas: Jesus era o filho de Deus, Jesus era um homem malévolo que enganou todos seus conterrâneos incultos e mudou o modo como as pessoas pensam, infelizmente, até hoje, ou a pior das três, Jesus realmente ACREDITAVA que era um ser santo.

Quando alguém acredita ser Napoleão, um homem enviado do futuro para salvar a Terra de robôs malignos ou um Alce, que seja, inevitavelmente acaba em um manicômio, mas quando este mesmo alguém acredita em um ser sobrenatural vindo do nada que em toda sua benevolência criou todo a existência a partir do nada e até hoje muda constantemente as leis universais em prol de uma única criatura claramente desmerecedora, ele está plenamente certo pelos padrões sociais. Citando Robert M. Pirsig: Quando uma pessoa sofre de um delírio isso se chama insanidade. “Quando várias pessoas sofrem de um delírio, isso se chama religião”

Ao debater este argumento com meu ainda não oficializado grupo de discussões filosóficas-ateístas fui lembrado instantaneamente de outro caso parecidíssimo, o astro do Super Pop, Inri Cristo, que, para quem não sabe, é aquele senhor de idade que geralmente aparece em programas de massa ou cultura pop debatendo com outros líderes religiosos e afirma ser a reencarnação de Cristo.

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Inri, que um dia já se chamou Iuri de Nostradamus, nome que adotou quando “trabalhava” como vidente e conselheiro, SUPOSTAMENTE sofreu uma revelação sobre sua verdadeira identidade aos 33 anos de idade enquanto fazia jejum no Chile. Logo em seguida iniciou sua peregrinação mundial gritando aos sete ventos que era Jesus Cristo. Ao divulgar sua palavra, Inri foi expulso dos Estados Unidos, Inglaterra e França. Encontrou, finalmente, seu lar em um país de terceiro mundo com uma mentalidade religiosa infantil, arcaica, e com trâmites burocráticos incompetentes demais para pôr um fim à sua cruzada de falácias, o Brasil.

Nessa hora eu deveria falar o quanto é inacreditável que uma criatura tão singular como esta tenha vários seguidores ao redor do mundo, mas nem é tão inacreditável assim.

Talvez Inri Cristo não seja mais um charlatão randômico que estamos acostumados a ver por aí, talvez ele REALMENTE acredite que seja um ser místico enviado para salvar a humanidade com base em aparições na televisão, um site que quase causa convulsões e paródias de músicas famosas. Há até relatos de seus “milagres”, lá constam curas milagrosas de paralíticos, tuberculosos, pessoas com cânceres avançados, entre outros. No mesmo endereço eletrônico também se encontram vídeos de performances místicas sensacionais de suas assistentes.

Penso, ainda que se Jesus Cristo voltasse para anunciar o fim do mundo, ou o qualquer coisa que seja, não seria através de programas da Rede TV e mesmo assim as pessoas o tratariam como mais um falso profeta.

Acreditar é como fugir da realidade e abrir mão da curiosidade humana sem nenhum benefício além de um falso conforto pessoal. Quando as pessoas acreditam em algo, provavelmente irreal, são capazes de levar tais crenças ao extremo de agredir civilizações inteiras, como os atentados de 11 de setembro ou qualquer um dos homens-bomba que ceifam centenas de vidas inocentes todos os dias no oriente médio. Acreditar é perigoso. Se ninguém nunca tivesse perguntado o porquê, não teríamos todos aqueles lindos livros sobre variados assuntos, não teríamos a liberdade de expressão e nem mesmo a internet ou tecnologia para produzir este blog.

Não falo só de Inri Cristo, essa criatura obviamente tem um problema grave e devia estar sob tratamento psicológico severo, ao invés de se aproveitar desta fama errônea, mas sim todas as pessoas com crenças cegas que tomam algo por verdade sem tentar enxergar com os olhos da razão.

Novamente repito: Acreditar é perigoso, tente saber.

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Idade Terrestre, Flintstones e Religião.

Novembro 6, 2008

Update: Mais informações foram adicionadas ao post já que o mesmo estava muito radical e com um nível de sarcasmo muito elevado. Ninguém precisa fazer inimigos por nada ou ter alguns extremistas gritando no ouvido.

Acho que você provavelmente não sabia, eu mesmo só fui descobrir no último final de semana, mas de acordo com a bíblia a idade do planeta Terra é de cerca de 6 mil anos.

Mil. Não milhões.

Mil. Não bilhões.

Em 1658 o Arcebispo Ussher em seu livro “Os Anais do Velho Testamento Deduzidos do Princípio da Origem do Mundo” datou a idade terrestre de acordo com os textos sagrados e a coisa ficou mais ou menos assim:

* Da criação até o dilúvio – 1656 anos

* Do dilúvio até Abraão – 292 anos

* Do nascimento de Abraão até o êxodo do Egito – 503 anos

* Do êxodo até a construção do templo – 481 anos

* Do templo até ao cativeiro – 414 anos

* Do cativeiro até ao nascimento de Cristo – 614 anos

* Do nascimento de Cristo até os tempos de Ussher – 1650 anos

* Total = 5610 anos

Qualquer pessoa com o mínimo de esclarecimento iria obviamente pensar que os homens primitivos, impressionáveis e ALTAMENTE influenciáveis por fenômenos místicos e, até então, inexplicáveis como a chuva ou os relâmpagos escreveram qualquer coisa em seu livro  por falta de entendimento do mundo e que atualmente certas verdades bíblicas já estão caídas por terra, sendo esta um enorme exemplo.

Mas em uma realidade onde inteligência e religião COMPROVADAMENTE não combinam as coisas não funcionam desta forma e certos cristãos AINDA tentam justificar algumas das bobagens escritas milhares de anos atrás. E uma das principais, em meu ver, é a questão dos dinossauros.

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Duas das melhores respostas que ouvi para este intricado dilema, e que quase me convenceram, foram dadas por professoras de ensino fundamental de escolas evangélicas de minha cidade, e explicam em toda soberba intelectual o que eram e como os dinossauros existiram na visão de deus.

1º – Na época de Noé e sua arca de proporções infinitas, o mundo era um lugar feio e cheio de pecado. Toda essa energia maligna contaminou os animais que, por serem extremamente culpados de adultério, assassinato e cobiçar a mulher alheia, ficaram deformados e foram transformados em seres monstruosos, os dinossauros.

Levando em conta que as grandes inundações ocorreram mais ou menos na época das civilizações mesopotâmicas, podemos chegar, claramente, a só uma conclusão: Os Flintstones foram baseados em fatos reais.

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2º – Os dinossauros nunca existiram e todos os cientistas estão sendo usados pelo Inimigo para desacreditar a bíblia. Assim como Golias, os homens daquele tempo eram MUITO altos, assemelhando-se a gigantes. Os paleontólogos pegaram ossos humanos e montaram os dinossauros como forma de enganar a população e tirar todos do rumo do senhor.

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Se um dia meu filho voltasse da escola contando uma coisa dessas, ele jamais pisaria naquela instituição novamente.

Outro argumento bastante utilizado é o do Behemot, e este não parece ser tão simplório. De acordo com a bíblia (Jó 40:15 em diante), o Behemot era a mais poderosa de todas as criaturas terrestres e possuía uma cauda gigante que seria comparada à arvore do cedro. Alguns especialistas tentam classificar o Behemot como um rinoceronte ou elefante, mas como seus rabos são pequenos demais, os religiosos preferem acreditar em dinossauros a somente uma hipérbole mal colocada.

Há ainda muito o que falar, mas acabaria me tornando redundante ou prolixo já que os argumentos cristão são praticamente iguais. Para saber mais não hesite em clicar aqui ou aqui.

Apesar de não ser bom para o texto o uso de lugares comuns, não há frase melhor neste instante: Errar é humano.

Todos erram, e não é feio admitir o erro e tentar novamente. O louco é aquele que persiste na mesma ação e espera resultados diferentes. Acreditar em uma terra jovem é quase INSANO. Rejeitar todas as evidências de carbono 14, fósseis e geológicas para persistir com uma antiga idéia da coexistência de homens e dinossauros também.

Não seria embaraçoso pedir desculpas e dizer que a bíblia não deve ter crédito literal, não acho que a bíblia deva ter crédito algum, mas é muito mais estranho inventar soluções como estas para um problema que já está resolvido.

A crença religiosa é tão forte e à prova de falhas que, talvez, mudar um pouco a história das escrituras, finalmente libertasse a fagulha para incendiar toda a fé, e isso é algo que os religiosos não podem permitir.

Acreditar é perigoso. Tente SABER.


Propaganda Eleitoral e Religião

Setembro 21, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Horario Politico

Com o início da campanha eleitoral municipal em todo país, começa um real freak show em nossos televisores. Há desde covers de humoristas toscos à até mesmo um ex-colega de classe que nunca foi conhecido pelo brilhantismo de seu intelecto e, pelo que dizem, até hoje reprova milhões de disciplinas em sua faculdade particular.

Com essa leva de aberrações, também chegam os devotos, que não são poucos. O projeto de lei Complementar 216/04 da Deputada Juíza Denise Frossard, RJ, já tentou eliminar influências religiosas em cargos políticos, afirmando que esta intima ligação entre religião e política é inconstitucional. Sob a ótica da instituição religiosa cabe a ela estabelecer as regras de conduta dos seus seguidores permitindo-lhes ou não a prática de atividades político-partidárias. Já em contrapartida, sob a ótica política, cabe ao Estado permitir ou proibir o acesso de cidadãos ativos aos cargos públicos, estabelecendo impedimentos e incompatibilidades. Lembra-se ainda que os militares são obrigados a se afastarem de sua vida de caserna quando optam pela vida político-partidária. O número de padres e pastores no congresso, porém, é tão grande que uma lei como essa jamais passaria, apesar do que o povo pensa.

A moda esses dias é afirmar que a candidatura é apenas a vontade de deus, que pela força de deus serão eleitos e que fulano ou cicrano é mais um enviado de deus. Imaginem a pressão que um fanático religioso sofre ao ouvir tais afirmações. Percebe-se, então, com esta atitude, uma forma pífia de exploração da ignorância das massas e sensacionalismo.

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Votem em mim! Sou THOR, o DEUS TROVÃO!

Dá certo? Não mesmo! Posso ser MUITO suspeito para falar, mas até mesmo alguns amigos evangélicos admitiram que, assim como eu, nem escutam as propostas e não fazem o mínimo de esforço para decorar o nome/número do candidato que adota essa postura. O tiro sai pela culatra.

Isso só reforça a idéia de que vivemos um falso estado laico. Um país que possui a frase “Deus seja louvado” estampada em toda cédula monetária impressa não pode ser considerado livre de rótulos religiosos. Se eu mesmo não fosse tão capitalista evitaria pegar em dinheiro.

Questiono até mesmo a inteligência dos candidatos ou de quem produziu o marketing pessoal dos mesmos. É fato que os protestantes se desenvolvem rápido, mas ainda não são maioria. E somente eles, e os mais fanáticos, para acreditar que vários “messias” estejam concorrendo vagas de vereadores ou prefeitos.

Falou de deus perdeu meu voto. E o de todos com discernimento e sem nenhum grau de problemas mentais.O povo quer propostas reais, não só promessas. E que estas sejam realizadas após a eleição.

Nada contra os religiosos, longe disso, respeito a crença de todos, por mais absurda ou infantil que seja, mas não quero ninguém dizendo que o diabo estourou o esgoto de minha rua ou fez buracos no asfalto.


Ateismo e Marginalidade

Setembro 20, 2008

Texto publicado originalmente em trabalhos anteriores do autor.

Ao adentrar minha sala de aula do curso de Jornalismo na sexta feira passada, fui testemunha de uma situação bastante inusitada. Um pequeno grupo de alunos, cerca de cinco ou seis, orava fervorosamente de mãos dadas. Estava invadindo, mesmo sem querer, uma das reuniões do GOU, Grupo de Oração Universitário.

Nada contra as pessoas que tenham fé, acredito que todos devem ter liberdade religiosa e ética para expressar suas crenças. Ou a falta delas.

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Claro que me incomoda entrar em uma loja de sapatos e ouvir uma música gospel, assim como andar na rua e ser abordado por crentes recrutadores. Obviamente essas pessoas estão em seu direito. O problema se dá quando é o contrário. Quando um estabelecimento comercial qualquer usa Black Metal como som de fundo, ou quando algum cientista descobre um fato que possa desmerecer os ensinamentos da Igreja. Situações como as citadas acima, evidentemente não são aceitas. Seriam até vistas de forma errada pela sociedade.

A questão permanece no ar: Os Ateus ainda são marginalizados nos dias de hoje?

São sim. Uma pesquisa realizada pela revista VEJA de 26 de dezembro de 2007, diz que: 84% das pessoas votariam em um negro, 57% em uma mulher, 32% em um homossexual e apenas 13% em um ateu. Essa é uma forma de enfatizar que as habilidades governamentais de um determinado cidadão não sobrepõem a sua opção religiosa ou sexual.

Apesar deimage002.gif o grupo dos que se declaram ateus cresce a olhos vistos no Brasil, ainda há certo temor em assumir a falta de uma crença. Principalmente para aqueles que vivem longe dos grandes centros urbanos ou que tenham muita popularidade e importância na comunidade. Devido, principalmente a idéia de que quem não aceita Deus está aceitando o Diabo, fato não muito comentado mas que ainda assim se faz presente na maioria das pessoas sem muita instrução. Tudo, um grande engano. Para nós, ateus, nenhum dos dois existe.

Não sou adepto da máxima de Lincoln: “Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar”, já citada em outra hora aqui no Mal começo. Seria impossível mudar a pobre mentalidade do povo brasileiro sozinho. Na ponta da minha caneta não se encontram respostas, elas moram em cada um de nós.

Para saber mais: Sociedade da Terra Redonda. Ateus Brasil.