Dexter: “A” série.

Abril 9, 2009

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Não arrisco muito escrevendo sobre televisão. Isso é fato e os leitores mais ávidos podem comprovar. A última vez que teclei algo sobre esse tão conturbado mundo do entretenimento acabei em decepção. Foi este post aqui sobre o começo da última temporada de Heroes, que, como a grande maioria dos fãs antigos, também já abandonei. Por outro lado, falo agora daquela que considero a melhor série dramática dos últimos tempos. Dexter.

Diferente de Seinfeld, que marcou o começo de minha adolescência, Dexter não tem um humor peculiar ou um sarcasmo afiadíssimo. Para quem não sabe, o seriado trata de assassinatos. Sim, assassinatos. Dexter Morgan, personagem principal, é um Serial Killer. Não como Hannibal Lecter ou, sei lá, o mascarado idiota de Pânico. Dexter trabalha como especialista forense na polícia de Miami.

Entenderam o paradoxo?

Dexter vive sob um estrito código de honra deixado por seu pai, também policial, que o ensinou a suprir tais necessidades, e só eliminar aqueles que possuem certos requisitos que os tornam ameaças para a sociedade. Um assassino que só mata assassinos. Somente com esse começo já teríamos um ótimo programa, mas, felizmente, Dexter vai muito além.

O foco principal da trama muitas vezes não está somente nas mortes ou nas vontades doentias do protagonista e sim na sua vida pessoal. Em como máscaras podem ser levantadas e como um homem obviamente problemático pode conciliar dois comportamentos completamente opostos. Um maniqueísmo vivo.

Um dos principais motivos da soberba de Dexter é a atuação de Michael C. Hall no papel do assassino homônimo à série. Michael, já consagrado pelo trabalho no teatro e pela sua atuação na grande série dramática Six Feet Under, chega ao topo de sua carreira com Dexter. Ver Hall como um Serial Killer é quase natural. Como a calma superfície de um lago que esconde um turbilhão nas profundezas, o ator ao mesmo tempo em que exibe a calma e frieza de um assassino, pode ser amoroso e companheiro de forma bem convincente. Perfeito.

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Outro fator importantíssimo, e, que em meu ver, faz uma diferença enorme, é o número de episódios de cada temporada. São 12. Nem mais nem menos. Devido ao número reduzido, todos os capítulos trazem grande importância ao enredo sem dar margem para fillers, algum grande desvio de roteiro ou mistérios sem solução. Vide Heroes, e Lost, respectivamente.

Até agora a série mostra uma consistência admirável. Em três temporadas conseguiu, além de manter seus fãs antigos, arrebatar novos cada vez mais fervorosos. A narrativa encontra maneiras de explorar, além do talento incontestável de Hall colocando-o em várias situações adversas, reviravoltas e embates psicológicos cada vez mais intensos, fazendo o expectador saltar em um mergulho às profundezas da mente deste adorável assassino.

DEXTER (Season 2)

Dexter não é repleta de efeitos especiais. Não é dirigida por algum dos intocáveis de Holywood como Abrams ou Bruckheimer. Não tem algum grande nome do cinema à sua frente. Não importa. Não precisa. Sucesso se faz com talento, dedicação e qualidade. Isso Dexter tem de sobra.

Assistam!


Heroes Chapter 4: Fugitives. Primeiras impressões.

Fevereiro 11, 2009

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Há pouco mais de duas semanas, no dia 2 de fevereiro, a série americana Heroes voltou do hiato em sua terceira temporada. Após o fracasso completo do segundo volume da série, com a greve dos roteiristas interrompendo prematuramente o fluxo de episódios, e do terceiro volume, Villains, decepcionando a grande maioria dos fãs com um excesso de remendos para os erros anteriores, Fugitives estreou sem muitas expectativas.

Muitos daqueles que iniciaram as primeiras temporadas com uma empolgação juvenil desistiram da série e se dedicaram a tramas mais lineares como The Mentalist, Dexter ou Lost, que não possuem tanta inconstância, ao contrário de Heroes. Com esse fato em mente, Tim Kring, criador da série, recontratou Bryan Fuller, um dos roteiristas originais da primeira temporada e que atualmente trabalhava em sua própria série, a recém cancelada, e ótima, Pushing Daisies, que promete retornar o foco da história para o drama ao invés da ficção científica, como havia acontecido.

Após assistir os dois primeiros episódios, percebe-se um plano realmente diferenciado do anterior, assemelhando-se de fato àqueles mostrados no começo da série.

A partir desse ponto o texto pode conter alguns spoilers. Para continuar é só clicar aí embaixo.

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Desenhos na vida adulta

Fevereiro 9, 2009

Acho que toda criança que nasceu nos anos 80 ou à frente teve sua infância repleta de desenhos animados. Antes mesmo da era de ouro da TV Manchete, quando os animes invadiram as terras tupiniquins, Pernalonga, Tom & Jerry, Super Mouse, Jonny Quest e aquela antiguíssima liga da justiça já divertiam a galerinha jovem que usava calçãozinhos e sandálias Ryder.

No entanto, nem todos abandonam os cartoons ao atingir a adolescência ou idade adulta, como eu. Sempre surgem novas opções a cada dia explorando esse nicho tão concorrido dos desenhos animados para adultos. Os temas, assim como a faixa etária dos espectadores, evoluíram e hoje alguns dos roteiristas mais bem pagos da televisão trabalham neste ramo.

Foi com esse pensamento em mente que surgiu a idéia para este post, onde falarei um pouco sobre os 3 melhores desenhos animados para adultos em minha humilde opinião. A ordem apresentada, não é de maneira alguma importante ou qualificativa. Foi apenas um acaso do destino.

1: Os Simpsons

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Histórico: Criado em 1987 por Matt Groening, Os Simpsons se iniciou como uma série de curtas para um programa de comédias americano. A reação dos telespectadores foi tão positiva que Homer e sua família acabaram migrando para um show próprio logo em seguida. Atualmente está na 20ª temporada, o que faz a série ser a mais antiga em exibição nos Estados Unidos. Já recebeu inúmeros prêmios Emmy, Annie e até uma estrela na calçada da fama. Em 1998 a revista Time a elegeu como a melhor série televisa deste século.

Motivo do sucesso: Os Simpsons foi o primeiro desenho animado a demonstrar com sucesso o americano médio: Gordo, burro, atrapalhado e crianças levadas ou mal aproveitadas vivendo em uma sociedade formada de indivíduos semelhantes, ao invés de super heróis, como era de costume. As situações hilárias e inverossímeis mostradas no decorrer do desenho onde Homer sempre acaba caindo de um barranco, bêbado ou em algum outro desses mil acontecimentos que são praxe na vida real.

Os Simpsons, por ser muito antigo e mais ameno que os outros desenhos mostrados aqui, geralmente se torna o primeiro contato das pessoas com os cartoons adultos, logo na saída da infância para a adolescência. Homer e sua família são difundidos atualmente em trocentos canais diferentes, inclusive na Globo, obviamente editado para ficar AINDA mais leve. Em minha curta passagem pela Argentina, pude notar que o desenho também é febre por lá. Várias camisas de Buenos Aires tinham Homer como ilustração principal e o programa era exibido diariamente em uns dois canais locais, se não me engano.

Série irmã: Futurama.

2: Family Guy

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Histórico: Family Guy teve sem início em 1999 após outro programa de seu criador, Seth MacFarlane, ter atraído a atenção de executivos do canal americano Fox durante um comercial do Super Bowl. Após duas temporadas a série teve um cancelamento prematuro, mas após muitos pedidos de fãs e um aumento nas vendas de DVD, Famiy Guy voltou a ser exibido e atualmente está na sua 7ª temporada. O programa já ganhou prêmios por seus dubladores e roteiristas, além de três Annies e um Golden Reel Award.

Motivo do Sucesso: Assim como Os Simpsons, Family Guy retrata o americano médio em seu cotidiano e além. Sua história, apesar de obviamente baseada na família de Homer, é muito mais pesada e COMPLETAMENTE sem pudores. Personagens gays, brigas, bebedeiras, assassinatos e situações embaraçosas maculando a imagem de figuras públicas como governantes e atores são mostrados completamente sem censura.

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Já falei de meu apreço por Family Guy. É impossível não gostar da série já que o completo descaso de Peter Griffin com sua família, amigos, o abuso de álcool, drogas e temas sexuais aproximam o conteúdo do desenho ainda mais da vida real. Em uma questão de evolução natural, geralmente, os fãs de “Os Simpsons” migram para Family Guy quando conhecem melhor as peripécias e humor extravagante dos Griffins.

Série Irmã: American Dad

3: South Park

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Histórico: No ano de 1992, dois estudantes de cinema da Universidade do Colorado criaram um curta de animação chamado “Jesus contra Frosty” que apresentava em sua essência os mesmos valores que futuramente iriam formar South Park. Alguns executivos da Fox viram o curta e contrataram a dupla, Trey Parker e Matt Stone, para desenvolver um cartão de natal animado no mesmo estilo. O vídeo se espalhou rapidamente, tanto em cópias físicas quanto pela Internet. A produção desse curta levou ao planejamento da série que estreou em 1997.

Motivo do Sucesso: O principal motivo de sucesso de South Park é seu excesso de humor negro. Diferente de todas as séries anteriores, que tentam mostrar o cotidiano das famílias americanas, desta vez o foco principal são crianças apontadas de um jeito onde o “politicamente incorreto” é pouco para dizer tudo que acontece no programa. Garotos que explodem e são comidos por ratos, lutas de boxe entre Jesus e Satan e Aids são temas corriqueiramente discutidos e ridicularizados no desenho.

South Park tem em seu maior pecado sua maior vantagem. A animação altamente tosca e mal feita do cartoon faz com que seja meio cansativo assisti-lo em demasia, mas de certa forma é impossível imaginá-lo de um modo diferente. Outro ponto muito interessante do desenho é o acompanhamento do hypes midiáticos por Cartman e companhia. Lembro saudosamente quando o gordo boca-suja viajou no tempo para recuperar o Nintendo Wii perdido.

Série Irmã: Não tem.